1º trimestre confirma maior contenção no mercado residencial

Imagem por Jens Neumann na Pixabay
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No 1º trimestre de 2026, a Century 21 Portugal registou um volume de vendas de 1.138 milhões de euros, refletindo um crescimento homólogo de 9%. No entanto, o número de transações recuou 8%, “confirmando uma tendência de abrandamento do mercado que já se vinha a desenhar desde o final de 2025”, refere a rede em comunicado. Afastando cenários de queda abrupta da atividade, olhando para a evolução em cadeia, a Century 21 realça que a desaceleração nas vendas foi mais evidente nos dois primeiros meses do ano, ao passo que março trouxe sinais de estabilização.

O preço médio de venda fixou-se em 276.163 euros, um valor que embora 22% acima do registado no 1º trimestre de 2025 reflete uma descida em relação ao trimestre anterior. O que, refere a Century 21, é “um indicador que contraria a narrativa de crescimento contínuo dos preços e aponta para maior contenção no mercado”.

Ao mesmo tempo que as decisões de compra se tornam mais cautelosas, o arrendamento reforçou o seu peso o mercado, com a Century21 Portugal a registar um aumento de 6% no número de transações, de 1.293 no 1º trimestre de 2025 para 1.373 no 1º trimestre de 2026.

Na sua análise ao comportamento da procura, a rede de mediação chama atenção para o que considera ser uma alteração do paradigma”, marcada pela redução do número de transações, a maior sensibilidade ao preço e o crescente peso da chamada troca de casa entre os compradores residentes em Portugal, que continuam a ser o principal motor deste mercado – representando 87% do total de vendas mediadas pela Century21, o valor mais elevado de sempre

Os dados do 1º trimestre confirmam um mercado mais condicionado pelo poder de compra. A desaceleração não resulta de uma quebra estrutural da procura, mas sim de uma tomada de decisão mais lenta e um desfasamento crescente entre preços e rendimentos. Quem continua a mover o mercado são os portugueses, sobretudo através da troca de casa”, considera o CEO da Century21 Portugal, Ricardo Sousa.

Já a faturação da Century21 Portugal aumentou 2% em termos homólogos, atingindo os 30,8 milhões de euros, no que a rede considera ser uma demonstração “de resiliência num enquadramento mais desafiante”.

Sustentada pelos resultados do 1º trimestre, a Century21 Portugal antecipa que a tendência de abrandamento se deverá manter no 2º trimestre, projetando um mercado mais seletivo e exigente que continuará a apresentar um ritmo mais contido nos próximos meses.

Espera-se que o número de transações continue a abrandar no segundo trimestre, com o primeiro semestre a fechar com valores em linha ou ligeiramente abaixo do ano anterior”, prevê Ricardo Sousa.

Em todo o caso, conclui, “os fundamentos do mercado, emprego, acesso ao crédito e confiança das famílias, permanecem sólidos. A procura não desaparece, apenas se adapta. Um agravamento significativo só seria expectável se a Euribor subisse de forma sustentada acima de 3,5% ou se o desemprego se aproximasse dos 8%”.

 

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