BTR: A mudança tem de começar com a disrupção na legislação", defende Carolina Roca

Carolina Roca, Chairman da ASPRIMA no COPIP 2026
Carolina Roca, Chairman da ASPRIMA no COPIP 2026

A convite da APPII e do grupo Iberinmo (Vida Imobiliária), a líder da associação madrilena viajou esta terça-feira até Lisboa, para partilhar na COPIP uma perspetiva internacional sobre os constrangimentos que continuam a travar o desenvolvimento do segmento de Build-to-Rent na Península Ibérica. Com base na experiência de Madrid, a responsável foi categórica: impõem-se "medidas disruptivas" para inverter o atual cenário de subprodução de habitação.

"Em Espanha, produziam-se cerca de 250.000 casas por ano até 2000. Após a crise de 2008, o volume caiu drasticamente para as 34.000 unidades anuais e, nos últimos 15 anos, o país ainda não conseguiu regressar ao patamar das 100.000 habitações/ano", contextualizou Carolina Roca. O panorama na região de Madrid reflete esta realidade, com uma quebra de 40% na produção. "Fechámos o ano de 2025 com 14.000 novos fogos na capital espanhola, quando o volume ideal deveria fixar-se nas 40.000 unidades", apontou, evidenciando o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura que afeta tanto Portugal como Espanha.

Atualmente, o mercado espanhol necessita de um fluxo constante de pelo menos 200.000 novas casas por ano para colmatar o défice acumulado. Perante esta pressão, a Chairwoman da ASPRIMA aponta a solução: "Precisamos de recuperar o investimento privado na habitação para arrendamento, atraindo promotores e investidores que se tinham afastado devido à falta de rentabilidade. Por muito sólidos que sejam os fundamentais da procura, o capital exige viabilidade financeira. Sem modelos de negócio rentáveis, o investimento não avança."

O exemplo madrileno: flexibilização do solo e densificação

Para contrariar esta inércia, a ASPRIMA conseguiu demonstrar ao legislador espanhol a urgência de reformas profundas. Entre os avanços alcançados em Madrid, Carolina Roca destacou a simplificação nos processos de mudança de uso do solo — eliminando a necessidade de novos trâmites burocráticos e gerando oferta habitacional onde antes não existiam terrenos disponíveis — e o aumento dos índices de densificação em projetos de renda acessível. "Estes são os exemplos práticos de medidas capazes de reativar as motivações dos investidores", sublinhou.

Apesar de o incremento físico na produção habitacional na Comunidade de Madrid ainda não ter atingido a velocidade desejada nos últimos quatro anos, o balanço é claramente positivo. "As alterações burocráticas e legais já foram implementadas e os seus efeitos começam agora a fazer-se sentir. Estamos convictos de que estas reformas vão beneficiar e estabilizar todo o mercado no longo prazo", concluiu.