Comporta, Madeira e Porto ganham protagonismo no mercado de luxo

Comporta, Madeira e Porto ganham protagonismo no mercado de luxo
Pixabay

O mercado residencial de luxo em Portugal está em crescimento, e localizações como Comporta, Madeira, Porto, Vila Nova de Gaia ou Grândola estão a ganhar protagonismo, ao lado dos principais destinos, como Lisboa e Algarve. A conclusão é do relatório “O mercado da habitação de luxo em Portugal”, agora publicado pela seguradora especialista na proteção de patrimónios de elevado valor Hiscox.

De acordo com a análise, é de salientar a valorização, no primeiro trimestre deste ano, de 16% do mercado de Albufeira, 13,5% em Lagos e 11,1% em Loulé e Tavira. Porto e Gaia registaram valorizações de 10,5% e 14,3%, respetivamente, enquanto o Funchal cresceu 16,9% e a Calheta 16,7%. Só nesta região, as vendas de imóveis de luxo terão aumentado 75% em 2025.

Por outro lado, Grândola registou uma valorização anual de 27,5% no início deste ano. Aqui, o preço médio das propriedades de luxo atingiu os 2,7 milhões de euros no ano passado. Quinta do Lago, Tróia, Soltroia e São Gonçalo são outros exemplos de localizações onde já existem ativos avaliados em vários milhões de euros, demonstrando que o imobiliário premium português está a ultrapassar o tradicional eixo Lisboa-Algarve.

Procura internacional é o principal motor do mercado

A maior parte dos compradores do mercado residencial do luxo são estrangeiros, representam mais de 30% das transações de habitação no Algarve e mais de 80% nas localizações “prime luxury”, o que mantém a região como um dos principais destinos europeus para quem procura segunda residência ou um ativo de elevado valor.

Segundo o relatório, o comprador atual é mais internacional, móvel, informado e exigente. Procura não só a localização e o tamanho do ativo, mas também privacidade, sustentabilidade, eficiência energética, tecnologia e flexibilidade de utilização, usando estas propriedades simultaneamente como residência, investimento e património a preservar para as gerações futuras.

No Algarve em particular, prevalece o lifestyle associado ao clima e à proximidade do mar. Já na Comporta, por exemplo, a procura está particularmente ligada à natureza, privacidade e baixa densidade; no Porto destaca-se o património, a autenticidade e a identidade urbana e na Madeira o clima, a paisagem e a qualidade de vida.

Lisboa continua em destaque

A par da emergência destes novos destinos, Lisboa continua a ser um dos principais mercados de luxo em Portugal, especialmente para um comprador global, urbano e tendencialmente mais jovem. Os preços dos imóveis de luxo aumentaram 6% no ano passado, e este é um dos mercados com maior potencial de valorização em 2026, com previsões de crescimento entre 4% e 6%, até porque o preço médio prime de Lisboa continua a estar 25% abaixo de Paris ou Londres e 45% abaixo de Nova Iorque.

A procura não se limita ao município, Cascais destaca-se na região com valores de 7.168 euros/m² e uma valorização anual de 13% no arranque deste ano, mais procurada por famílias internacionais e patrimónios mais maduros. Sintra chegava aos 4.733 euros/m², mais 14,9%, acima da variação anual de 4,9% da cidade de Lisboa. Nos segmentos mais exclusivos, os valores podem atingir os 11.293 euros/m²  na Quinta da Marinha e os 9.954 euros/m² na Avenida da Liberdade.

Eva Peribáñez, diretora da Divisão de Arte e Clientes Privados da Hiscox Ibéria, explica que “o mercado de luxo em Portugal está a mudar e, com ele, também está a mudar aquilo que entendemos por património de elevado valor. Hoje, uma casa de luxo é muito mais do que um imóvel: é simultaneamente um espaço de vida, um investimento, um legado familiar e, muitas vezes, um reflexo de um estilo de vida internacional". De acordo com a seguradora, "esta transformação exige uma abordagem igualmente personalizada à sua proteção, porque não existe uma única forma de proteger uma casa de elevado valor”.