Porto regista queda de 2,7% nas novas rendas e Lisboa estabiliza

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A Confidencial Imobiliário divulgou os resultados do Índice de Rendas Residenciais do 1º trimestre de 2026 para as duas principais cidades do país - Lisboa e Porto -, os quais mostraram dinâmicas diferentes. O Porto teve a maior descida trimestral em cinco anos, já Lisboa continua estável, somando o quarto trimestre consecutivo em terreno positivo.

Nos primeiros três meses de 2026, a renda média contratada em Lisboa fixou-se nos 1.580 euros para um apartamento T2 e no Porto nos 1.352 euros.

Desta forma, no Porto, esse período do ano assinalou “aceleração da correção em curso”, com as rendas dos novos contratos a registarem uma descida trimestral de 1,3%, - a maior desde 2021, variação esta que “acentua um movimento praticamente ininterrupto de quebras que se iniciou no final de 2024”.

Ainda que as descidas anteriores fossem moderadas (entre -0,2% e -0,9%), a sua persistência acumulou pressão suficiente para aprofundar a variação homóloga para -2,7%. Esta descida é também fruto dos elevados níveis de renda atingidos durante o ciclo de expansão 2022-2024, e do consequente aumento da oferta.

Por outro lado, na capital, as rendas contratadas registaram uma variação trimestral positiva de 0,2% no 1.º trimestre de 2026. Ainda que residuais, as variações em cadeia são positivas há quatro trimestres consecutivos, “com impacto já visível na variação homóloga, que atingiu 2,0%”, segundo a Confidencial Imobiliário.

Nos dois mercados, “a fase atual traduz o contrapeso natural ao ciclo de forte escalada registado entre 2022 e 2024”, período de grande expansão nas rendas contratadas, o que se deveu à pressão inflacionista e às incertezas do enquadramento fiscal e regulamentar do setor de arrendamento.

Em Lisboa, as rendas contratadas aumentaram 26,0% em 2022, abrandado para 9,0% em 2023 e desacelerando para 1,0% em 2024. No Porto, as rendas de novos contratos registaram um crescimento próximo de 30,0% em 2022, desacelerando para 12,0% em 2023 e para 2,0% em 2024.

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, afirmou: “A divergência entre Lisboa e Porto no 1.º trimestre de 2026 traduz fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento. Lisboa parece ter atingido um novo ponto de equilíbrio, com rendas a recuperar gradualmente após o período de correção. O Porto continua a absorver o excesso acumulado nos anos de expansão, e esta é a quebra trimestral mais expressiva desde o período pandémico - um sinal de que o ajustamento ainda não está concluído”.