Confirmando a forte dinâmica do mercado imobiliário, os preços das casas aumentaram 17,6%, em termos anuais, no ano passado. É uma aceleração de 8,5% face â variação registada no ano anterior, e a variação homóloga mais alta que se regista na série disponível.
Os números divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística no Índice de Preços da Habitação (IPHab) mostram que, no ano passado, as casas usadas registaram um aumento de 18,9%, superior ao de 14,2% das habitações novas.
Neste ano, foram transacionadas 169.812 habitações, uma subida de 8,6% face a 2024. Nunca foram vendidas tantas casas, é o registo mais elevado desta série.
Estas transações traduzem-se num volume de 41.200 milhões de euros, mais 21,7% que em 2024. As transações de casas usadas aumentaram 9,5% em número e 25% em valor, face ao ano anterior. Já as transações de casas novas subiram 5,3% em número e 13% em valor
Só no último trimestre de 2025, o índice registou uma subida homóloga de 18,9%, mais 1,2 pontos percentuais que no trimestre anterior, o que, segundo o INE, “corresponde ao crescimento de preços mais expressivo da série disponível, e o sétimo trimestre consecutivo com uma aceleração dos preços”. Foram transacionadas 43.084 habitações, uma descida homóloga de -4,7% (que compara com os 3,8% do trimestre anterior), e uma subida em cadeia de 1,4%. Este volume de transações diz respeito a 10.800 milhões de euros, mais 5,9% que em igual período de 2024.
A Grande Lisboa concentrou 30,1% do valor das transações de habitação realizadas ao longo do ano, num total de 12.400 milhões de euros. No entanto, foi a região que mais viu diminuída a sua quota a nível nacional face ao ano anterior, uma descida de 2,1 pontos percentuais. A região Norte representa 25,6% do total.
Em 2025, com exceção da Região Autónoma dos Açores e da Região Autónoma da Madeira, nas demais regiões registaram-se aumentos do número e do valor das transações de alojamentos relativamente ao ano anterior.
Em 2025, as transações feitas pelas famílias aumentaram 10,5%, num total de 148.632 e 35.700 milhões de euros. Em valor, as vendas de alojamentos às famílias cresceram 24,4%, uma quota de 86,8% do total.
Estrangeiros compram menos, brasileiros lideram
Os cidadãos com domicílio fiscal fora do território nacional compraram 8.471 habitações em Portugal, num volume de 3.400 milhões de euros, reduções de -13,3% e -2,1%, respetivamente, em número e valor. É o terceiro ano consecutivo em que desce a representatividade dos estrangeiros no número de transações.
Em média, em 2025 o valor das transações feitas por compradores com domicílio fiscal em Portugal correspondeu a 234.120 euros, que compara com os 335.640 euros dos estrangeiros residentes na UE e com os 470.277 euros pagos pelos residentes em países fora da UE. Destaca-se a média de 512.585 euros dos cidadãos do Reino Unido e de 479.403 euros dos cidadãos dos EUA, 120% acima do valor médio pago pelos portugueses.
29,7% das transações feitas por estrangeiros dizem respeito ao Algarve, 20% à região Norte, 14,9% ao Centro. O Algarve destaca-se também em termos de valor, concentrando 42,4% do total, seguido pela Grande Lisboa, com 22,2%, e pelo Norte, com 12,1%.
Os cidadãos brasileiros destacaram-se ao protagonizar 9.808 transações em 2025, um aumento de 27,5% face ao ano anterior, somando uma quota de 23,9% do total. Seguem-se os angolanos, com 4.145 alojamentos transacionados, mais 2,2% que no ano anterior. Já os franceses compraram 3.765 casas, menos -6,2% que em 2024.