No ano passado, os preços de transação das casas em Portugal Continental registaram um aumento de 23,4% face ao ano anterior. Segundo a Confidencial Imobiliário, este é o maior crescimento anual registado em quase quatro décadas de análise de mercado.
Este aumento representa uma aceleração expressiva do crescimento face a 2024, quando os preços tinham aumentado 11% anualmente, e estabelece um novo máximo histórico desde o início da série do Índice de Preços Residenciais, em 1988. Esta evolução dos preços ao longo do ano reflete um ciclo consistente de subidas trimestrais fortes, com variações em cadeia quase sempre superiores a 6%.
Subidas aceleram em Lisboa e Porto
Em 2025, os preços de venda das casas aumentaram 18,2% em Lisboa e 16,6% no Porto. As subidas estão abaixo da média nacional, mas representam fortes aumentos face a 2024, tendo em conta que são mercados já caracterizados por preços elevados.
No caso de Lisboa, o aumento de 18,2% compara com uma subida de apenas 5,5% em 2024, num mercado onde o preço médio de venda atinge atualmente 5.200 euros por metro quadrado.
No Porto, a valorização de 16,6% duplica o crescimento do ano anterior (7,8%), num mercado com preços médios de 3.733 euros por metro quadrado. Em 2025, o preço médio de venda das casas no conjunto de Portugal Continental situou-se em 2.874 euros por metro quadrado.
No contexto das áreas metropolitanas, o Barreiro liderou a subida dos preços na região de Lisboa, com um aumento de 32,5%, enquanto Cascais apresentou a menor valorização, com 15,8%. Já no Grande Porto, Gondomar destacou-se com um crescimento de 31,3%, ao passo que a Póvoa de Varzim registou a subida mais contida, de 13,7%.
Preços crescem principalmente fora das grandes áreas metropolitanas
Não é só nas grandes cidades que aumentam os preços das casas, pelo contrário. Dos 278 concelhos monitorizados pelo Índice de Preços Residenciais, 147 – correspondentes a 53% dos mercados – registaram crescimentos superiores à média nacional. A Confidencial Imobiliário destaca que Santo Tirso, no distrito do Porto, lidera a tabela, com uma subida de 38,0% em 2025. Nos restantes 131 municípios, apenas um apresentou uma valorização inferior a 10% (8,1% na Figueira da Foz), enquanto cerca de um terço registou subidas entre 20% e 23% no último ano.
Há um claro destaque dos territórios que se situam fora das grandes áreas metropolitanas. A maioria dos 147 mercados com índices de valorização acima da média nacional situam-se fora das Áreas Metropolitanas (AM) de Lisboa e do Porto, com especial incidência em distritos do interior. Com efeito, apenas nove destes 147 concelhos pertencem às referidas regiões de maior densidade populacional, encontrando-se os restantes sobretudo em distritos como Castelo Branco, Santarém, Vila Real, Bragança, Évora, Portalegre e Beja.
Os distritos de Viana do Castelo, Braga, Aveiro, Coimbra, Setúbal e Faro apresentam também vários mercados em forte crescimento. Os distritos de Lisboa e Porto contribuem, sobretudo, com concelhos situados fora do perímetro metropolitano. Ainda assim, o Barreiro, na AM Lisboa, e Gondomar, na AM Porto, figuram entre as três dezenas de mercados nacionais que registaram subidas de preços superiores a 30% em 2025.
Por outro lado, entre as capitais de distrito, destacam-se Beja, Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Faro e Aveiro com valorizações acima da média nacional, entre os 24,8% e os 33,5%.