De acordo com o mais recente Dils Recap, uma iniciativa de Business Intelligence da Dils, promovida pela equipa de Advisory, que reúne trimestralmente a análise dos dados mais relevantes dos segmentos comercial e residencial do mercado imobiliário, setor a setor, o mercado imobiliário português registou um volume de investimento de 1,4 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano, o que representa um crescimento de 11% face ao mesmo período de 2025.
Apesar deste crescimento, o segundo trimestre do ano registou uma redução do volume de investimento, que se fixou nos 462 milhões de euros, o que representa uma quebra de 18% face ao período homólogo.
O investimento estrangeiro representou 76% do volume total transacionado no segundo trimestre, e, em termos de perfil de investimento, as estratégias core e core plus continuaram a dominar a atividade, concentrando mais de 80% do volume investido. Ainda assim, “verificou-se uma maior diversificação das estratégias adotadas pelos investidores, com um aumento da relevância das abordagens value add e opportunistic”, de acordo com o comunicado divulgado.
Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal, afirma: “O segundo trimestre confirma a resiliência do mercado imobiliário português. Apesar da redução pontual do volume transacionado, o investimento atingiu 1,4 mil milhões de euros no primeiro semestre, mais 11% do que no mesmo período de 2025, num contexto internacional de maior incerteza. O peso do capital estrangeiro nas maiores operações demonstra que Portugal continua a ser reconhecido como um mercado competitivo e com fundamentais sólidos.”
O responsável acrescentou: “Nos diferentes sectores, a hotelaria e Industrial & Logística continuam a captar capital sustentado por fortes fundamentais em termos procura e desempenho, enquanto os escritórios permanecem numa fase de price discovery. A estabilidade das yields demonstra que existe confiança no mercado, mas também uma maior exigência na avaliação da qualidade dos ativos, da segurança dos rendimentos e do potencial de valorização”.
Hotelaria e Industrial e Logística foram os setores que atraíram maior investimento
A hotelaria e o segmento de Industrial & Logística foram os setores que mais atraíram investimento durante o trimestre, concentrando, respetivamente, 36% e 26% do capital. O investimento em hotelaria no primeiro semestre de 2026 ultrapassou, inclusivamente, os volumes anuais registados em 2024 e 2025.
Entre as principais transações do trimestre destaca-se, no segmento da Hotelaria, a aquisição de 72% do Corinthia Lisboa Hotel por 150 milhões de euros, a venda de oito ativos do Project Nau por 90 milhões de euros, a aquisição de 50% do Acqua Portimão por 60 milhões de euros, a transação do edifício Triunfo por 20-25 milhões de euros e a venda do Santiago de Alfama Boutique Hotel por 22 milhões de euros.
Retalho atingiu um volume de investimento de 417 milhões de euros
Neste segundo trimestre do ano, o retalho manteve-se atrativo em todos os seus segmentos, tendo atingido 77 milhões de euros e um volume de investimento acumulado de cerca de 417 milhões de euros no primeiro semestre do ano, ainda que 30% abaixo do período homólogo.
Setor de escritórios regista um dos volumes de investimento mais baixos
Já o setor de escritórios registou um volume de investimento de 21,7 milhões de euros no segundo trimestre de 2026, um dos níveis trimestrais mais baixos dos últimos anos. No acumulado do semestre, o volume investido ascendeu a 62,2 milhões de euros, permanecendo abaixo dos níveis históricos.
No mercado de investimento, as yields mantiveram-se estáveis ao longo do segundo trimestre, reforçando a confiança dos investidores.
Em Lisboa, absorção atingiu 38.050 m²
No mercado de escritórios de Lisboa, a absorção atingiu 38.050 m² no segundo trimestre de 2026, uma recuperação de 25% face ao primeiro trimestre. Este crescimento foi impulsionado, sobretudo, pela ocupação de cerca de 9.000 m² pela iCapital na nova sede da Fidelidade. Apesar da recuperação registada no trimestre, a procura mantém-se fragmentada - dos 41 negócios concluídos em Lisboa, apenas 8 envolveram áreas superiores a 1.000 m².
Do lado da oferta, o segundo trimestre ficou marcado pela conclusão de dois novos edifícios de escritórios, a sede da Fidelidade e o Edifício 1 do Campo Novo, que acrescentaram cerca de 49.700 m² ao stock de escritórios da cidade. Até ao final de 2026 está prevista a conclusão de mais 12.000 m² de novos espaços em Lisboa, dos quais 18% já se encontram pré-ocupados.
Ao nível das rendas, o mercado de escritórios de Lisboa manteve-se estável durante o trimestre. A renda prime no Prime CBD permaneceu nos 32 €/m²/mês, refletindo a resiliência dos ativos de maior qualidade nas localizações mais consolidadas.
Mercado no Porto regista aumento de 64%
No mercado de escritórios do Porto, a ocupação registou um volume de 12.366 m², traduzindo um aumento de 64% face ao trimestre anterior. Este desempenho foi impulsionado, sobretudo, pela ocupação de cerca de 6.150 m² pela SNS e de aproximadamente 2.100 m² pela FlexOffices, no edifício Latino Coelho 85.
Do lado da oferta, o segundo trimestre ficou marcado pela conclusão do Boavista Office Building, com cerca de 1.300 m² de área de escritórios. Para 2026 e 2027 estão previstos cerca de 96.450 m² de nova oferta em construção, reforçando a renovação e expansão do stock de escritórios da cidade.
As rendas de escritórios no Porto mantiveram-se estáveis durante o trimestre, com a renda prime a permanecer nos 21 €/m²/mês.
Industrial & Logistics regista recuperação da atividade impulsionada por ativos de nova geração
O mercado de ocupação de Industrial & Logistics registou uma recuperação no segundo trimestre de 2026, com uma absorção de 134.000 m², um crescimento face ao trimestre anterior. Este desempenho foi impulsionado, maioritariamente, pela relocalização de ocupantes para ativos de nova geração, com melhores especificações técnicas e maior capacidade de resposta às atuais exigências operacionais.
Apesar da evolução positiva da atividade, a absorção no acumulado do primeiro semestre permaneceu cerca de 7% abaixo do valor registado no período homólogo de 2025, refletindo a escassez de oferta disponível.
Transações em destaque
Entre as principais transações do trimestre destacam-se a ocupação de 34.770 m² pela IDL Logistics, na Zona 4 (Montijo–Alcochete), na Grande Lisboa, e a ocupação de 25.000 m² no Panattoni Park Valongo, distribuída por duas operações.
A oferta de Industrial & Logística registou a entrada de cerca de 32.000 m² no mercado durante o segundo trimestre. Até ao final de 2026, estão previstos cerca de 321.000 m² na Grande Lisboa e 50.000 m² no Grande Porto, com uma parte significativa destes espaços já comprometida.
As rendas prime mantiveram-se estáveis na Grande Lisboa, nos 5,50 €/m²/mês, enquanto no Grande Porto registaram um aumento, atingindo os 6,00 €/m²/mês.
Retalho: retail parks concentram maior volume de nova oferta
No segmento dos centros comerciais, o mercado nacional conta com 110 ativos e um pipeline de nova oferta de 10.500 m², que inclui a expansão do Colombo e a nova fase de expansão do Vila do Conde Outlet. Os retail parks totalizam 57 ativos e sete projetos em desenvolvimento, e o retalho alimentar contabiliza 2.108 unidades comerciais. O segmento stand alone soma 631 unidades.
Rendas mantêm-se estáveis. Centros comerciais registam os valores mais elevados
As rendas mantiveram-se estáveis no segundo trimestre, sem alterações nos principais segmentos. Os centros comerciais registaram os valores prime mais elevados, com 130 €/m²/mês, seguidos pelo retalho alimentar (15 €/m²/mês), retail parks (13 €/m²/mês) e espaços stand alone (11 €/m²/mês).
Transações em destaque
No comércio de rua em Lisboa, o trimestre ficou marcado pela abertura da Max Mara Weekend e da Bottega Veneta, reforçando a oferta de luxo na Avenida da Liberdade, bem como pela abertura da Manteigaria, no Rossio. A renda prime na cidade aumentou para 155 €/m²/mês, refletindo um crescimento de 11% face ao período homólogo.
No Porto, a renda prime manteve-se estável nos 85 €/m²/mês, destacando-se as aberturas da Parfois e da Brera na Rua de Santa Catarina e do Honest Greens na Avenida do Brasil.