O volume de investimento imobiliário comercial na Europa terá atingido os 53.000 milhões de euros no segundo trimestre deste ano, mais 6% face a igual período do ano passado. Assim, a primeira metade do ano terá somado os 103.000 milhões de euros, um aumento de 3%. É o que mostra o mais recente relatório “Market in Minutes: European Investment Nowcast” da Savills.
De acordo com a consultora, o Reino Unido terá registado a descida mais impactante do continente, de 22% face a igual período do ano passado, atraindo 21.600 milhões de euros e "retirando" quase 7.000 milhões de euros ao total europeu.
A Alemanha também pesou no resultado, com uma descida de 8%. A Bélgica (-61%) e a República Checa (-45%) registaram correções acentuadas, após primeiros semestres excecionalmente fortes em 2025, enquanto a Roménia caiu 21%. Esta queda concentrou-se, assim, num número reduzido de mercados, sem traduzir uma retração generalizada dos investidores.
Pelo contrário, a atividade de investimento quase duplicou no caso da Polónia (+95%) e da Finlândia (+94%). Entre os principais mercados europeus, a Suécia e a Espanha destacam-se, com os montantes transacionados a subir 68% para 12.800 milhões de euros e 56% para 12.200 milhões de euros, respetivamente.
Neste semestre, o capital internacional representou cerca de 45% do investimento total europeu. Os investidores dos EUA, Canadá e Singapura reduziram a sua atividade, ainda que os americanos continuem a ser a maior fonte de capital cross-border para a Europa. Dentro do continente, os holandeses e os franceses mantiveram-se particularmente ativos no investimento, acima das respetivas médias a cinco anos.
Residencial já representa 30% do investimento no imobiliário europeu
A Savills nota que a maioria dos investidores continua a privilegiar os setores defensivos, cuja procura de ocupação se mantém mais resiliente. Os segmentos Living, que incluem Multifamily, residências de estudantes, lares e Senior Living, representam já cerca de 30% do volume total investido na Europa no primeiro semestre.
Pelo contrário, a logística desceu 3 pontos percentuais, e tem agora uma quota de cerca de 16%, apesar de ter protagonizado uma das maiores transações do ano, a compra do portfólio francês da Proudreed por 2.300 milhões de euros.
Lydia Brissy, Director European Commercial Research Team na Savills, antecipa que a dimensão média das transações tenha aumentado no segundo trimestre, “sustentada por várias aquisições de referência que demonstram um apetite continuado por ativos de exceção, apesar de um sentimento de mercado globalmente mais fraco”.
Compressão das yields é adiada
De acordo com a análise da consultora, as yields das obrigações soberanas de longo prazo subiram cerca de 25 pontos base em vários mercados europeus desde o início do segundo trimestre, num contexto de receios de inflação renovados e maior incerteza quanto à trajetória das taxas de juro. Por essa razão, a compressão de yields prime que era esperada no início do ano deverá agora ficar adiada.
James Burke, Director Global Cross Border Investment na Savills, explica que "na Europa, o financiamento continua disponível para ativos de qualidade, mas os credores e os investidores dão agora mais importância à segurança do rendimento, à qualidade do património e à disciplina de preços”. Por isso, “até ao final de 2026, prevemos que as yields prime se mantenham estáveis na maioria dos setores e países, com a compressão de yields limitada aos ativos de exceção”.
Total do ano deverá atingir os 251.000 milhões de euros
Apesar de um primeiro semestre mais moderado, e tendo em conta os negócios que foram adiados, mas que estão em curso, a Savills prevê que o volume total de investimento imobiliário comercial na Europa chegue aos 251.000 milhões de euros este ano. Por outro lado, este montante poderá aumentar para 297.000 milhões de euros em 2027.