Os dados são da Cushman & Wakefield, e foram apurados no âmbito do seu mais recente inquérito realizado pela junto de investidores institucionais europeus, que realçao envolvimento crescente do capital institucional no setor residencial.
De acordo com este barómetro, atualmente cerca de dois terços dos inquiridos aloca 20% ou mais das suas carteiras a ativos residenciais, e 96% antecipam aumentar essa exposição até 2031.
Para 74% dos investidores, a estabilidade dos retornos continua a ser apontada como o principal fator de atratividade deste setor, apoiada por dinâmicas demográficas sólidas e por uma procura consistente transversal a todos os segmentos de mercado. Olhando aos alvos do investimento, o mercado de arrendamento privado (PRS) e o Build-to-Rent (BTR) continuam a liderar o interesse destes players, seguindo-se o alojamento para estudantes (PBSA). Simultaneamente, e à medida que as estratégias de investimento se tornam mais diversificadas, outras soluções como a habitação acessível ou o co-living estão 0também a captar um interesse crescente dos investidores, nota a consultora.
“O que mais se destaca neste inquérito é a consistência da confiança dos investidores. As alocações estão a aumentar, as estratégias estão a expandir-se e o investimento em habitação está cada vez mais integrado de forma estrutural nas carteiras”, observa Patrick Hogan, Head of EMEA Living Capital Markets da Cushman & Wakefield. E, “o bom desempenho do setor em 2025 reforçou claramente essa convicção”, afirma.
Segundo a Cushman & Wakefield, em 2025 o Reino Unido e a Alemanha representaram 66% do investimento residencial europeu, que, recorde-se, atingiu os 25.000 milhões de euros. Espanha junta-se a estes no grupo dos mercados mais atrativos, sendo que a Irlanda surge agora à frente de França no grupo seguinte dos países preferidos.
Crescimento das rendas e eficiência operacional impulsionam retornos
Olhando em diante, mais de metade dos inquiridos não antecipa alterações nas taxas de juro ao longo do próximo ano, enquanto 48% espera que os rendimentos da habitação prime se mantenham estáveis. Com a expetativa de compressão de yields a diminuir, os investidores acreditam que no futuro o crescimento das rendas e a melhoria da eficiência operacional serão os principais impulsionadores do desempenho do setor.
Em 2026, o PRS / BTR é apontado como o segmento com melhor desempenho, à frente do PBSA. Já a escassez de oportunidades, a continuação do desalinhamento de preços entre compradores e vendedores e os riscos políticos e regulatórios são os principais desafios identificados.
Os ativos já estabilizados continuam a ser a prioridade de investimento, com quase metade dos investidores a indicar que entre 80% a 100% das suas carteiras ativas é comporta por este tipo de ativos.
As joint-ventures e aquisições diretas de ativos estabilizados deverão ser as principais formas de entrada no mercado ao longo dos próximos três anos. Já os modelos de forward funding e forward purchase deverão manter-se mais limitados, com exceção de mercados emergentes como a Bélgica, Itália, Polónia e República Checa, onde só agora é que a oferta institucional começa a ganhar escala.
Quanto ao nosso país, o mercado de investimento residencial institucional é ainda praticamente inexistente ou pouco expressivo, com as melhores oportunidades a estarem para já centradas no segmento do PBSA. “Em Portugal, o alojamento para estudantes entrou em 2026 com fundamentos muito sólidos, suportados por uma oferta limitada, uma procura crescente e um interesse institucional cada vez mais forte. Este contexto torna o mercado particularmente atrativo para investidores com foco em rendimentos estáveis no longo prazo. Já o segmento de construção para arrendamento permanece ainda pouco desenvolvido, mas o recente enquadramento fiscal poderá ser um catalisador importante para a sua afirmação futura”, considera Alvaro Forero, Head of Alternatives & Living da Cushman & Wakefield.
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