Investimento imobiliário aumentou 22% em 2025

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O investimento em imobiliário comercial de rendimento terá atingido os 2.820 milhões de euros em 2025, uma subida de 22% face a 2024, que consolida a recuperação iniciada no início do ano, estima a CBRE.

Igor Borrego, responsável da área de Capital Markets da CBRE Portugal, destaca a performance dos investidores nacionais, que em 2025 “estiveram significativamente mais ativos” e foram responsáveis por cerca de 33% do volume total de investimento – “o valor mais elevado dos últimos anos”.

O responsável identifica que “o interesse dos investidores de retalho em imobiliário comercial aumentou substancialmente, o que se refletiu numa maior atividade por parte dos fundos abertos nacionais. Também os family offices demonstraram um forte dinamismo, encarando o imobiliário comercial como uma solução de preservação de capital e diversificação de portfólio”.

A CBRE esteve envolvida em cerca de 51% do volume total transacionado em 2025. “Atuou em mais de 30 negócios de imóveis de rendimento, num universo de mais de 50 negócios intermediados, o que nos confere um conhecimento profundo das tendências de investimento e do apetite dos investidores. Existem várias operações que transitaram para 2026, perspetivando-se um início de ano muito positivo, nomeadamente nos segmentos de logística, retalho e hotelaria, onde antecipamos a conclusão de negócios já em janeiro”, completa Igor Borrego.

Retalho lidera com 33% do total

Em 2025, o setor do retalho representou 33% do volume total investido, seguido pelos escritórios, com 25% do total (o dobro do que foi investido no ano passado), o que sinaliza um reforço da confiança neste segmento e uma compressão das yields.

Já a hotelaria concentrou 15% do investimento, e o setor residencial, nomeadamente as residências de estudantes, 14%. Logística e alternativos representaram 10% (volume três vezes superior ao de 2024) e 3%, respetivamente.

De acordo com a CBRE, as yields mantiveram-se geralmente estáveis em 2025, embora alguns segmentos como escritórios, centros comerciais, supermercados, hipermercados e residências de estudantes, tenham registado uma compressão de cerca de 25 pontos base ao longo do ano.

Destaque ainda para os setores alternativos, onde, para além das residências de estudantes, com operações relevantes como a aquisição ibérica da Livensa e a entrada da Hines no mercado português, se registaram também transações envolvendo ginásios, data centers e escolas.

Lisboa e Porto representaram, no seu conjunto, 78% do volume total investido no nosso país. Entre as três maiores transações do ano, destacam-se a venda de 50% do Norteshopping, a aquisição das residências de estudantes Livensa Living e a venda do hotel Cascais Miragem. Em conjunto, estas operações representam cerca de 30% do volume total de investimento realizado em 2025.

Novas transações significativas estão a decorrer

A CBRE apresenta-se otimista para 2026, com várias transações significativas em curso nos vários segmentos, algumas “já em fases avançadas de due dilligence”, que consolidam o mercado de investimento imobiliário português.

Este ano, o setor hoteleiro poderá assumir um papel de relevância, nomeadamente se se concretizarem as notícias que apontam para uma potencial venda do fundo Discovery.