A APPII e a ADENE anunciaram esta semana a criação do Green Building Council em Portugal, uma iniciativa conjunta que se propõe a contribuir para melhorar e transformar o ambiente construído. A apresentação foi feita num pequeno-almoço executivo organizado pela APPII com os seus associados esta semana, em Lisboa. O Green Building Council é uma associação independente e colaborativa, sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é que a construção seja mais sustentável. Atua na preparação do mercado para a legislação atual e futura, na melhoria da capacidade de resposta ao desenvolvimento urbano e na garantia da sustentabilidade no parque edificado. Na apresentação deste projeto, Nelson Lage, presidente da ADENE, destacou que “é cada vez mais urgente construir melhor, de forma mais sustentável e mais inclusiva”, num momento em que “vivemos num mundo muito instável, que precisa de ações concretas. Mas é também um mundo cheio de oportunidades, para a descarbonização e para a melhoria da eficiência energética”. Considera que o Green Building Council Portugal vai ser “um impulsionador de mudança, uma plataforma de alinhamento do setor, que pode colocar Portugal no mapa internacional. Queremos contribuir para uma resposta eficiente aos novos desafios regulamentares, para a adaptação das empresas aos novos requisitos técnicos, reforçar o setor num quadro cada vez mais exigente, acelerando a construção sustentável em Portugal. E contamos com a vossa participação, o sucesso desta iniciativa depende muito da participação ativa do setor”. Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII, afirmou que “queremos ter um papel ativo na transformação do setor, e convidamos-vos [aos promotores e investidores imobiliários] a participar nessa transformação e nos processos de decisão. É importante arrancar a associação com um conjunto de fundadores distintos e queremos ter-vos ao nosso lado, por acreditarem neste projeto e na importância de marcar posição desde o início”. Marina Alves, da ADENE, explica que existem hoje cerca de 75 Green Building Councils em todo o mundo, mais de 20 dos quais na Europa, uma rede que se dedica a acelerar a transição para a construção sustentável, e que se assume como “potenciador de mudança e catalisador de inovação”, na qual “todos os stakeholders podem trabalhar em conjunto, seguindo as melhores práticas internacionais”. Não esconde que é esperada “alguma resistência à mudança numa fase inicial. Mas não pretendemos ser uma associação de alguns, e sim um espaço para todos os que queiram contribuir para um ecossistema mais sustentável, mais competitivo. O sucesso vai depender do envolvimento ativo de todos”. A capacitação, um novo sistema de classificação próprio e a inovação e partilha de conhecimento são os três principais eixos do Green Building Council, que serão concretizados através da promoção de qualificação e formação especializada em várias áreas, workshops, ferramentas de suporte e apoio técnico, participação em projetos de inovação, organização de debates ou facilitação da ligação à rede internacional GBC. Isabel Santos, do GreenLab, recorda que “há vários anos que desejávamos a criação do Green Building Council em Portugal”, que era dos poucos países europeus que ainda não tinha um. Isto porque “temos vários desafios de sustentabilidade identificados, e sabemos que a maior parte dos players do setor considera a construção sustentável uma prioridade, mas nem todos a conseguem concretizar. Nós queremos influenciar as políticas públicas nesse sentido”. Enquanto parceiro do Green Building Council, o GreenLab tem como objetivo garantir “que os compromissos [ambientais] se convertem em resultados. Daqui a uns anos, queremos que Portugal esteja no mapa ao nível das melhores práticas de sustentabilidade”.