O grupo imobiliário Engel & Völkers apresentou, em Lisboa, o seu Market Report Portugal 2025-2026, revelando um setor residencial dinâmico, resiliente e cada vez mais atrativo para investidores internacionais. A sessão contou com a presença de Daniela Rebouta, Sales Director para Lisboa, Oeiras e Setúbal, e Margarida Oltra, Regional Manager em Portugal.
O estudo, desenvolvido em parceria com o Instituto Marketing Research, analisa o desempenho do mercado nas principais regiões do país e traça as tendências que marcaram o último ano.
De acordo com o relatório, 2025 ficou marcado por uma forte recuperação da atividade imobiliária em Portugal. A economia nacional cresceu 1,9%, devido à procura interna e a um mercado de trabalho robusto, o que reforçou a confiança de famílias e investidores.
Este contexto refletiu-se diretamente no setor: o número de transações aumentou 15,5% no segundo trimestre, enquanto o volume transacionado ultrapassou os 8,9 mil milhões de euros. Ao mesmo tempo, os preços da habitação registaram, também, uma subida homóloga de 17,7% no terceiro trimestre.
Mercado mais segmentado
A análise regional mostra um mercado imobiliário diversificado, com diferenças de preços e perfis de procura.
Na região de Lisboa, foram registadas 8.451 transações, com um preço médio de 3.215€/m². Destaca-se o aumento do "peso de imóveis de gama alta e a crescente presença de compradores internacionais" de acordo com Daniela Rebouta, enquanto parte da procura nacional se desloca para zonas periféricas.
Oeiras mantém-se como uma das localizações mais procuradas, com 3.117€/m², "beneficiando da qualidade de vida e da oferta de construção", segundo a responsável. Já Setúbal afirma-se como alternativa residencial, atraindo famílias que procuram mais espaço.
No Norte, o Minho, segundo Margarida Oltra, destaca-se pela forte presença internacional, representando cerca de 95% dos compradores, referindo ainda, a responsável, que "poucos dos clientes recorrem a crédito". Cidades como Braga e Guimarães apresentam preços médios de 1.704€/m² e 1.728€/m², respetivamente.
O Porto, com 4.284€/m², mantém-se como um mercado consolidado, "mas em transformação", impulsionado pela reabilitação urbana e melhoria das infraestruturas. Vila Nova de Gaia surge como alternativa dinâmica, com forte crescimento e valorização, especialmente na zona litoral: "é uma das zonas do país com mais dinamismo, surgindo como uma alternativa à cidade do porto. O facto de crescerem os meios de transporte ajudam a este crescimento", concluiu.
Regiões como Cascais e Estoril mantêm-se como mercados consolidados de luxo, com preços médios de 5.591€/m² e uma forte predominância de compradores internacionais, sendo o "motivo de compra maioritariamente residencial".
No Alentejo, a Comporta reforça o seu estatuto de destino premium, com valores médios de 4.265€/m² e uma crescente aposta em projetos de luxo, "evidenciando a forte procura por localizações exclusivas".
Já o Algarve consolida-se como principal mercado de alto padrão, com destaque para Quinta do Lago (13.256€/m²) e Vale do Lobo (9.252€/m²). Mercados como Lagos, Albufeira e Carvoeiro mantêm forte procura internacional, sobretudo para segunda habitação e investimento turístico. Já em Portimão, "a procura é mais nacional" devido aos preços mais baixos.
Apesar do crescimento, o relatório identifica desafios estruturais, nomeadamente o desequilíbrio entre procura e oferta: estima-se que, nos últimos anos, "a procura por habitação tenha superado a oferta de novos fogos em cerca de 14.000 unidades por ano", mantendo pressão sobre os preços, principalmente nas áreas metropolitanas e zonas costeiras.
Embora o licenciamento de novos projetos tenha aumentado cerca de 10% em 2025, a escassez de mão de obra e os longos ciclos de construção, por exemplo, continuam a limitar a resposta do setor.
Portugal mantém atratividade internacional
No segmento premium, Portugal continua a destacar-se pela qualidade de vida, segurança e estabilidade económica. Segundo Daniela Rebouta, o mercado demonstra “uma notável capacidade de adaptação”, com procura consistente tanto na compra como no arrendamento.
Margarida Oltra sublinha que o setor está mais maduro e exigente, com investidores a valorizarem não só a localização, mas também fatores como sustentabilidade, qualidade de construção e potencial de valorização.
Para 2026, o relatório apresenta um cenário otimista, com previsão de crescimento económico de 2,6%. A procura internacional deverá manter-se forte, especialmente no segmento de luxo, com destaque para compradores norte-americanos e europeus.
Lisboa e Cascais continuam a atrair investimento estrangeiro, enquanto o Porto mantém maior equilíbrio com o mercado nacional. A Comporta apresenta um perfil misto e o Algarve consolida-se como destino de eleição para segunda habitação.
No conjunto, o Market Report indica que o mercado imobiliário português deverá continuar a crescer, ainda que condicionado pela necessidade de maior oferta para responder à procura crescente.