De acordo com a edição do The Residence Report, da Knight Frank, associada da Quintela + Penalva em Portugal, Portugal está bem posicionado para "beneficiar da transformação" do mercado residencial de luxo a nível global.
O relatório identifica uma deslocação progressiva do investimento residencial de luxo das grandes cidades para "destinos costeiros, ilhas, resorts e localizações com maior qualidade de vida". Lisboa, Comporta e Algarve surgem como mercados com características diferenciadoras para atrair compradores internacionais.
Lisboa mantém valorização
Apesar da crescente procura por destinos lifestyle, a capital mantém uma posição relevante no mapa internacional de luxo residencial. Carlos Penalva, sócio fundador da Quintela + Penalva, afirmou que “existe margem de valorização de Lisboa face a alguns grandes mercados internacionais. Lisboa ainda não atingiu o posicionamento de preço dos grandes mercados globais de luxo e, nesse sentido, tem mais espaço para crescimento, enquanto Comporta e Algarve beneficiam sobretudo da escassez e do posicionamento lifestyle."
Assim, a capacidade de crescimento dos destinos Lisboa, Comporta e Algarve, pode ser uma vantagem competitiva para Portugal, principalmente num contexto em que os compradores UHNW estão a diversificar geograficamente os seus patrimónios residenciais.
Compradores procuram múltiplas bases
O relatório aponta também que o número médio de propriedades residenciais detidas por indivíduos com patrimónios superiores a 30 milhões de dólares aumentou de 2,9 para 3,8 em menos de uma década.
Neste contexto, Espanha e Portugal são identificados como destinos que estão a atrair famílias norte-americanas que procuram maior proteção patrimonial e um maior isolamento face aos riscos geopolíticos.
Esta tendência altera também o conceito de luxo residencial: à medida que serviços e equipamentos como piscinas, spas, ginásios e concierge se tornam mais comuns, o valor passa a estar cada vez mais associado a fatores "difíceis de replicar", como localização, privacidade, natureza, experiência e qualidade do serviço.
O responsável referiu também que “Portugal mantém uma dinâmica residencial muito forte e continua a destacar-se no contexto europeu e internacional. O nosso país tem demonstrado uma enorme resiliência da procura e a atratividade junto de compradores nacionais e internacionais”. Concluiu que "O posicionamento de Lisboa entre os mercados residenciais prime com melhor desempenho confirma a crescente relevância internacional da cidade como destino para investimento imobiliário de qualidade. A combinação entre oferta limitada, qualidade de vida e interesse contínuo por parte de compradores internacionais continua a sustentar a valorização deste segmento".
Comporta ganha destaque internacional
O relatório destaca a evolução da Comporta, que passou de uma localização emergente para um dos destinos costeiros mais procurados da Europa. "A combinação entre natureza, costa, privacidade, clima e qualidade de vida" reforça o posicionamento dos destinos portugueses junto de compradores internacionais de elevado património.
Globalmente, a Knight Frank estima que o crescimento médio dos preços residenciais prime nas 20 cidades analisadas passe de 1,6% em 2026 para 2,2% em 2027. As cidades asiáticas continuam a liderar as previsões de crescimento, com Seul, Tóquio e Hong Kong nas primeiras posições do ranking.
O relatório indica ainda que a maioria dos mercados espera uma segunda metade de 2026 mais dinâmica do que o primeiro semestre, sustentada por um um "aumento da procura, do volume de transações e da atividade de compradores internacionais".