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Greater Porto é epicentro de investimento, inovação e talento

Greater Porto é epicentro de investimento, inovação e talento
Sessão "Capital, empresas e talento – Oportunidades para o mercado imobiliário".

O Porto ganhou destaque internacional não apenas como destino turístico, mas também como hub empresarial. O aumento da chegada de empresas internacionais impulsiona a procura por talento, espaços de trabalho e habitação. O que traz esta cooperação existente entre os municípios do Grande Porto? Quais são as oportunidades para o mercado imobiliário? Este foi o mote da sessão "Capital, empresas e talento – Oportunidades para o mercado imobiliário", no último dia da Semana da Reabilitação Urbana do Porto.

Dinâmica do mercado de escritórios no Porto

Frederico Leitão de Sousa, Head of Offices da Savills/Predibisa, e Isabel Rocha, Associate | Agency - Offices & Investment da Savills/Predibisa, traçaram o retrato do mercado de escritórios do Porto. Focando no Greater Porto, a oferta atual e futura de novos edifícios de escritórios, incluindo novas construções e reabilitações, totaliza 34.231 metros quadrados até o final de 2023. No que diz respeito ao pipeline de construção para 2024/25, estamos a falar de um total de 61.000 metros quadrados, dos quais cerca de 21% já estão comprometidos através de pré-arrendamento, o que demonstra um sinal bastante positivo em termos de ocupação.

A Savills/Predibisa observou também uma evolução positiva no arrendamento de escritórios, destacando a estabilidade do setor e reafirmando o Porto como um mercado consolidado e atrativo. Com base no histórico dos últimos anos, verifica-se que o volume de arrendamento é substancialmente superior ao planeado no pipeline para 2024/25. O volume de investimento acumulado no Porto, a partir de 2018, registou um montante de investimento superior a 350 milhões.

Apesar dos resultados positivos, o mercado do Porto «continua a precisar de bons projetos, de qualidade, com boas infraestruturas que venham dar resposta à procura por parte dos novos ocupantes», de acordo com os responsáveis, acrescentando que hoje «não só estamos a competir com outros produtos financeiros mais competitivos, como também competimos com outros países da Europa. Portugal demorou a ajustar os preços no que toca ao mercado de investimento de escritório, por essa razão, há investidores que olham para outras regiões dentro da Europa».

Os responsáveis destacam que o Grande Porto «está de facto no radar dos investidores, já não é uma segunda escolha por parte dos investidores, já é uma primeira opção quando estes pretendem transferir os seus serviços». Quanto às tendências, 2024 pode ser o ano de consolidação no mercado de coworkings da Invicta.

Uma "porta de entrada" para o Norte do país

«No Porto, seguimos uma lógica territorial ao nos apresentarmos globalmente como uma porta de entrada para o Norte do país», frisou Ricardo Valente, Vereador, Pelouro das Finanças, Atividades Económicas e Fiscalização e Pelouro da Economia, Emprego e Empreendedorismo da Câmara Municipal do Porto, na sua apresentação.

«É um território pequeno, mas extremamente relevante, com uma economia altamente competitiva que tem crescido acima da média nacional. Registamos um aumento significativo no número de empresas de alto crescimento e, atualmente, representamos 45% das empresas de alto crescimento no país, como também contribuímos com 45% das exportações nacionais», indicou o vereador.

"O Porto é uma marca reconhecida internacionalmente, que projeta a região e o país"

Ricardo Valente frisou que «passamos de uma lógica de competição pequena, para uma lógica de cooperação. Criamos uma marca e promovemo-nos internacionalmente sob essa identidade». Reforçou que o território «tem sido capaz de continuar a crescer em tempos difíceis. Estamos no segundo ano consecutivo de redução das transações mundiais e, apesar destes desafios, as empresas continuam a escolher este território para se estabelecer, enquanto as já presentes continuam a crescer de forma orgânica».

"Somos um dos maiores hubs de talento da Europa"

Ao destacar o Porto como «um dos maiores hubs de talento da Europa», o vereador da autarquia portuense sublinhou que as empresas «querem estar perto da mina, querem chegar cá o mais cedo possível para obter este talento. Temos uma nova geração completamente preparada. Somos um país que produz talento de qualidade, temos de nos vender assim».

Municípios complementam-se e cooperam

Na mesa-redonda de debate, Marta Pontes, Vereadora, Pelouros Economia, Turismo, Internacionalização e Proteção Civil da Câmara Municipal de Matosinhos, referiu que «o paradigma foi mudando: as cidades não concorrem, as cidades complementam-se e cooperam» e que o mindset passa por «tentar encontrar projetos em comum, sendo que esta tentativa vai muito para além das autarquias e do público, contempla também o privado».

Para a vereadora, «os tempos em que concorriam passaram e esta não é uma tendência local, quando vamos ao MIPIM sentimos esta mesma vontade de cooperação, em cidades como Barcelona», acrescentando que «nestes casos percebemos que estamos no caminho certo quando os projetos que iniciamos motivam outras grandes cidades a reconhecer a vantagem no processo, levando-as a querer associar-se e encontrar pontos em comum».

"Estamos num momento de gestão de ordenamento de território"

Neste momento, «não é difícil concorrer com algumas grandes cidades na atração de investidores, já não precisamos de desenvolver estratégias comerciais como fazíamos anteriormente. Agora temos de gerir os pedidos que temos: estamos numa gestão de ordenamento de território relativamente às empresas que captamos», explicou Marta Pontes.

Para António Miguel Castro, Presidente do Conselho de Administração da Gaiurb – Urbanismo e Habitação, o que distingue o Greater Porto, «para além da simplicidade, é o conjunto de ativos que cada um dos municípios acaba por apresentar». Salientou que «aquilo que temos no Greater Porto faz parte de uma uma história e identidade que nos é muita própria» e «aqueles que procuram investir, residir ou construir um projeto de vida aspiram a uma experiência diferenciadora. Tentamos, assim, procurar um mix do que temos de bom e potenciar essas qualidades».

No entanto, «talvez precisamos de mais», disse António Miguel Castro, pois «fizemos a parte que, apesar de difícil, parece ser fácil. Agora enfrentamos um desafio ainda maior: como podemos realizar um estudo estratégico de longo prazo para a nossa região, criando assim um caminho agregador». O responsável acrescenta que, entre os municípios, «não existe uma relação de tração, mas sim cooperação. Procuramos compreender os promotores e investidores e, de forma de forma colaborativa, implementar uma visão conjunta no nosso território».

Planos futuros para o Tecmaia

«É um projeto de sucesso», disse Hernâni Ribeiro, Vereador do Pelouro da Dinamização Territorial e do Empreendedorismo da Câmara Municipal da Maia, ao analisar o Tecmaia - Parque de Ciência e Tecnologia da Maia. Atualmente, «temos 36 empresas, 5 mil trabalhadores e 100% ocupado. Temos ainda, em carteira, 25 mil metros quadrados em lista de espera».

Hernâni Ribeiro avançou que «estamos prestes a concluir um novo edifício, previsto para agosto do próximo ano, com mais de 4 mil metros quadrados e capacidade para aproximadamente 600 postos de trabalho». O projeto Tecmaia «desempenhou um papel crucial no posicionamento da Maia, tornando-a uma das áreas metropolitanas com maior concentração de empresas de média e média-alta tecnologia, além de ter o maior salário médio da Área Metropolitana».

"Vão chegar cada vez mais multinacionais à região"

«A capacidade de atração do Grande Porto é claríssima, temos imenso talento local. Portugal é reconhecido pelo talento que aqui prospera», reiterou Ricardo Luz, Founder da Gestluz Consultores. O Grande Porto tem atraído diversas multinacionais, uma tendência que, segundo o responsável, persistirá: «acredito que vão chegar cada vez mais multinacionais à região».

Em contrapartida, assinalou que «o problema da região é o problema do país: reter o talento», acrescentando que «é fundamental que as empresas marquem presença no ambiente internacional, pois os jovens procuram ativamente oportunidades nesse ambiente. Como país, também nos falta capital, e a ausência deste pode levar os jovens a procurarem oportunidades lá fora. O significativo aumento dos custos tornou-se praticamente um garrote para os mais jovens».

Lionesa quer ajudar o território a crescer

«O Porto é uma cidade absolutamente incrível. O território tem de estar em primeiro lugar, se o bom senso comum disser que algo não é bom para o território, não fazemos. Queremos ajudar o território a crescer», enfatizou Pedro Pinto, Administrador da Lionesa, acrescentando que a empresa «não está preocupada em arrendar espaços, mas sim preocupada em dotar o território de infraestruturas que são boas para todos». O responsável falou ainda sobre o talento, dizendo que «sem talento não conseguimos atrair empresas. Temos de cativar o talento, este tem de ser o nosso foco».

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