Alojamento Local

Alojamento local no Porto espera “quase paralisia total” no inverno

Ana Tavares |
Alojamento local no Porto espera “quase paralisia total” no inverno

O mercado do alojamento local no Porto espera uma «quase paralisia total» nos meses de inverno, depois de ter registado cancelamentos acima dos 40% na época das festas.

As palavras são de Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), que numa entrevista à Lusa avançou que o Porto registava um índice de 34% de cancelamentos de reservas ao longo de todo o mês de dezembro, que se agravou para mais de 40% entre o Natal e o Ano Novo, nomeadamente devido ao anúncio das novas medidas de restrição.

O cenário não é mais animador nos próximos dois meses. O calendário de janeiro e fevereiro abrandou «muito em termos de novas reservas», segundo o responsável. «A expectativa do inverno, em especial nos centros urbanos, onde o Porto é um dos dois grandes centros, é um inverno muitíssimo duro, é um inverno tal e qual como tivemos os invernos anteriores em termos de quase paralisia da atividade».

O responsável explica que «o que passa para o estrangeiro é que Portugal entrou de novo no estado de calamidade e que está muito complicado, que é preciso testes para tudo e os testes têm custos, e então os estrangeiros percebem que não é uma boa altura para se viajar, porque está tudo muito confuso».

«Toda a vez que se voltam a colocar estas restrições, que há surtos novos, mesmo que estejam controlados, o impacto é imediato, como aconteceu em dezembro. O que significa que aquela perspetiva de retoma, principalmente nos grandes centros urbanos, como Porto e Lisboa, deu um passo para trás gigantesco agora e estamos numa situação bastante mais delicada, porque perdemos dezembro, que era um balão de oxigénio», refere ainda.

O fim da crise no setor poderá estar à vista só na próxima primavera. Para sobreviver ao inverno, a ALEP pede ao Governo que apoie o alojamento local nos próximos meses e que não deixe as empresas «à sua sorte», que há quase dois anos que deixaram de faturar. Pede, nomeadamente, «algum oxigénio de apoio imediato de tesouraria, com fundo perdido».

Nómadas digitais, doentes, professores ou divorciados são os novos hóspedes

O alojamento local dos centros urbanos está a receber novos tipos de hóspede numa altura em que o número de turistas é mais baixo. Estão entre eles os nómadas digitais, doentes em tratamento, professores, profissionais de saúde, famílias com a casa em obras ou divorciados. Em comum, têm o facto de preferirem estadias de média ou longa duração.

Eduardo Miranda acredita que «o futuro do alojamento local passa por diversificar os segmentos de mercado para além do mercado turístico clássico», cita o Observador. Em Portugal, a tendência passará por «conciliar o segmento turístico» com o chamado “mid term”, estadias prolongadas de 1 a 12 meses, onde se encaixam estes clientes.

Por outro lado, o segmento empresarial pode ser outra oportunidade, nomeadamente através de «acordos com grandes empresas», que têm colaboradores deslocados em determinados destinos ou cidades. «As multinacionais estão sempre a fazer formação e a desenvolver projetos, e portanto entramos nesse ‘mid term’ corporativo, e isso vem diversificar também bastante as opções», explica o presidente da ALEP.