Decorreu esta semana, a 14 e 15 de setembro, a 10ª edição do Portugal Real Estate Summit, que reuniu mais de 400 profissionais do investimento imobiliário no Hotel Palácio Estoril. O evento da Iberian Property reforça novamente o seu estatuto de referência para investidores e promotores imobiliários.
A habitação foi um dos principais temas em destaque deste ano, que arrancou logo com a participação do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. Perante uma plateia de investidores imobiliários internacionais, o governante garantiu que 90% do programa “Construir Portugal” está implementado, e que “temos tudo a andar para que o mercado possa reagir”, e convidou o setor a contribuir para o desígnio nacional de criar mais oferta e melhorar a acessibilidade da habitação. “Os agentes de mercado têm hoje mais previsibilidade e menos ambiguidade. E têm não a palavra de um político, mas a lei a seu favor. E nós queremos atrair mais capital e promotores para ajudar a suprimir estas faltas do mercado”. Pinto Luz pretende manter “uma relação muito próxima com os privados, para perceber o que temos de afinar. Esta tem de ser uma fórmula de sucesso” para aumentar a oferta de habitação.

Estudantes, séniores e arrendamento precisam de mais oferta
Há claras oportunidades de investimento no mercado residencial, mais especificamente nas residências de estudantes, nas residências séniores e no arrendamento acessível, ainda que algumas tardem a sair do papel. De acordo com os especialistas, dentro de alguns anos serão necessárias pelo menos 67.000 novas camas para estudantes e 70.000 para séniores, e também o mercado de Build to Rent deverá arrancar, com os projetos pioneiros da Sonae Sierra ou da Ageas. Mesmo que o Build to Sell ainda tenha rentabilidades imbatíveis, este exemplo será determinante para criar mais oferta no segmento acessível. Os promotores presentes confirmaram a importância de existir um benchmark no mercado, a partir do qual haverá mais confiança para investir.
Seja como for, estão expectantes relativamente às medidas de incentivo do Governo, que consideram positivas, mas que ainda levantam muitas questões sobre a sua aplicação.
Num inquérito realizado à plateia, através da plataforma Wooclap, ficou claro que o licenciamento ágil é a principal condição para desbloquear o investimento residencial em Portugal (72% das respostas), seguida pelos incentivos fiscais (14%) e pelos novos modelos de parcerias publico-privadas (13%).
Portugal já não está à venda, Portugal vende
Fazendo um overview da última década do mercado português, os especialistas presentes no Estoril não hesitaram em afirmar que Portugal deixou de estar simplesmente à venda, Portugal vende. Os investidores compram todo o tipo de produtos, não apenas core, e assim deverá continuar nos próximos anos, já que o país beneficia de uma menor dependência do petróleo e maior disponibilidade de energias renováveis, de ligação por cabos submarinos a todos os continentes, e até de um melhor rating.
No imobiliário comercial, falta bom produto em todas as áreas, escritórios, logística, hotelaria e mesmo no retalho. Isto tem impulsionado as rendas em alta, em todos os casos, e os escritórios em Lisboa podem mesmo chegar aos 40 euros por metro quadrado nos próximos dois anos.
Logística atrai as atenções
Noutra questão lançada à plateia, “Daqui a 10 anos, o que gostaríamos de ter comprado em 2026?”, 34% das respostas apontaram a logística. Escritórios e outros setores ficaram empatados nos 24%, seguidos pelos 18% do retalho.
De facto, vários investidores partilharam a sua vontade de investir no setor da logística, onde todo o produto moderno é imediatamente absorvido assim que chega ao mercado, garantindo uma taxa de disponibilidade muito baixa.
Para 64% dos participantes, Portugal apresenta-se como uma oportunidade de investimento seletiva, interessante quando os negócios certos se apresentam. 36% considera este um mercado prioritário para a sua atividade, onde quer aumentar a sua exposição.
Também o investimento em data centers esteve em destaque, a par do financiamento e das estratégias de alocação de capital, entre outros.
Este ano, temas como os novos formatos de Living, hotelaria, retalho, escritórios e logística, as novas regras do licenciamento urbanístico e os incentivos fiscais do programa “Construir Portugal” animaram as seis sessões paralelas, organizadas pela C&W, JLL, Savills, CBRE, Morais Leitão e Abreu Advogados.
O Portugal Real Estate Summit é organizado pela Iberian Property. Tem como parceiros os principais agentes do mercado, nomeadamente a Abreu Advogados, CBRE, CGD, C&W, Deloitte, JLL, ML, Nhood, Norfin, Refundos Explorer, Savills e Square AM.

Todas as imagens do Portugal Real Estate Summit podem ser consultadas nos álbuns disponíveis no Flickr.