Hotéis, logística e habitação atraem as atenções dos investidores imobiliários

Ana Tavares |
Hotéis, logística e habitação atraem as atenções dos investidores imobiliários

Apesar de o ano de 2021 ter começado com um novo confinamento geral, o investimento imobiliário comercial deverá superar o volume transacionado em 2020, que marcou o terceiro melhor resultado de sempre do mercado, atingindo os cerca de 3.000 milhões de euros, mais 7% que no ano passado.

As contas são da Prime Yield, parte da Gloval, que apresentou esta semana a edição de 2021 do “Guia de Investimento para SOCIMIs e SIGIs”, que mostra que, apesar de os primeiros meses deste ano terem sido marcados pela incerteza e por uma atitude mais cautelosa por parte dos investidores, continua a existir bastante liquidez para investir em imobiliário. A consultora antecipa «uma forte retoma da atividade de investimento na segunda metade do ano», liderada pelos investidores internacionais, mas «com uma presença cada vez mais forte dos investidores nacionais».

Nelson Rêgo, CEO da Prime Yield, explica que além dos escritórios, que se mantêm entre os alvos preferenciais, entre os segmentos de maior interesse para o investimento estarão a logística, cuja procura ocupacional disparou após o crescimento massivo do comércio eletrónico; os novos segmentos da área residencial, dos quais se destaca a construção para arrendamento (built-to-rent) e as residências de estudantes; bem como a hotelaria, que apesar de estar fortemente afetada em termos de ocupação, emerge no radar dos investidores.

O responsável destaca que «todos sabemos que o turismo foi um dos setores mais fustigados pela pandemia e que as perspetivas de recuperação da atividade turística, e, por conseguinte, do desempenho operacional dos hotéis, não são animadoras mesmo para este ano. Contudo, os hotéis, devido à sua elevada qualidade, continuam a ser ativos muito procurados para investimento e tornam-se, na atual conjuntura, especialmente apetecíveis para os fundos oportunistas».

Os investidores em hotéis olham agora «para os ativos situados na zona do Algarve, em detrimento das localizações de Lisboa e Porto. Isto acontece porque antecipa-se uma recuperação mais rápida do segmento de turismo de sol-praia e golfe, caraterísticos da região Sul, sendo expectável que o turismo de negócios e urbano, onde Lisboa e Porto lideram, seja mais difícil de relançar».

Sobre a logística, Nelson Rêgo destaca que este segmento «emerge como um produto de grande interesse devido à massificação de operações de vendas online que a pandemia trouxe consigo, embora tenhamos que lidar com a falta de produto adaptado aos requisitos dos operadores. Não é de estranhar que, neste cenário, comecemos a ver mais negócios de investimento logo na fase de promoção dos ativos. Na habitação, os setores das residências de estudantes e senior, além do co-living, vão continuar a despertar interesse, estando já em desenvolvimento vários projetos e havendo algum produto a surgir no mercado».

Mas a grande promessa é o built-to-rent, que «tem um enorme potencial de crescimento. Se conseguirmos ter um mercado de arrendamento institucional atrativo para os investidores será um passo muito importante para ajudar as famílias a ter uma renda compatível com o seu rendimento», conclui.