Hotelaria

Mais de um terço dos investidores imobiliários pretende comprar hotéis

Fernanda Cerqueira |
Mais de um terço dos investidores imobiliários pretende comprar hotéis

Mais de um terço dos investidores imobiliários pretendem comprar hotéis na Europa, de acordo com a última publicação da Cushman & Wakefield, Hotel Investor Beat. E apesar do impacto da pandemia no setor do turismo, só 10% colocaram os seus planos em stand-by e apenas cerca de 21% dos investidores admite reduzir o investimento no setor hoteleiro.

Para Gonçalo Garcia, Diretor de Hospitality da Cushman & Wakefield, «a grande vontade mostrada pelos investidores em voltar a adquirir hotéis sugere que estes estão já a pensar em cenários pós-COVID19 sem restrições a viagens e com toda a indústria de lazer e hotelaria a funcionar em pleno».

Para a maioria dos entrevistados, os resorts turísticos são o tipo de ativos mais atrativo, sendo que 70% dos investidores consideram-nos mais interessantes agora do que antes da pandemia.

Também os “serviced apartments” tornaram-se mais atrativos, com 60% dos inquiridos a realçar a resiliência, alto rendimento e adaptação à mudança para arrendamentos de médio-longo prazo deste tipo de ativo.

Por outro lado, os hotéis de negócios, orientados para conferências e eventos, e os que se localizam junto a aeroportos, perderam a sua atratividade, pela alteração brusca nos padrões de trabalho e a resistência em organizar grandes eventos num futuro próximo.

Península Ibérica e Portugal com destaque positivo

O Reino Unido e a Irlanda são as geografias preferenciais para investimento, seguidos da Alemanha, Península Ibérica, França e Benelux. Se considerarmos as cidades mais atrativas, Barcelona lidera o ranking de preferência dos investidores, seguida de Londres, Paris, Amesterdão e Munique. Lisboa aparece no 9º lugar do ranking, à frente de cidades como Dublin, Viena ou Praga.

Gonçalo Garcia comenta que «a conclusão evidente após consulta do sentimento dos principais players de mercado (investidores, proprietários e operadores) com exposição a múltiplas geografias, é de que Portugal e a Península Ibérica surgem com destaque positivo, consagrando assim a natureza turística destes destinos, e a confiança na retoma turística no curto prazo».

Neste estudo participaram mais de 50 grandes investidores ativos no mercado de investimento hoteleiro europeu, que no seu total foram responsáveis pelo investimento de €26 mil milhões nos últimos 5 anos, adquirindo 664 hotéis (127.642 quartos), o que representa aproximadamente um quarto do volume total de transações no setor.