O processo de fusão entre as duas maiores associações empresariais de hotelaria do Algarve deverá estar concluído até ao final do ano, garantiu esta segunda-feira à Lusa, citada pelo Observador, o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).
A assinatura do memorando de entendimento, que dá início formal à fusão entre a AHETA e a Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AIHSA), decorreu esta segunda-feira em Albufeira. Do processo resultará uma nova estrutura, a Associação de Empresas Turísticas do Algarve (AETA).
Questionado pela Lusa sobre o significado da aproximação entre as duas entidades, Hélder Martins recordou que esta chega depois de sucessivas tentativas goradas de entendimento entre ambas: "surge após vários anos de tentativas falhadas de entendimento". O presidente da AHETA foi mais longe na descrição desse historial de desencontros: "Estiveram durante anos de costas voltadas, houve muitas tentativas entre elementos das duas direções, mas nunca se conseguiu". Para o dirigente, o que mudou agora foi a disposição das atuais direções para avançar com "uma união há muito discutida".
Na sua leitura, o entendimento entre as duas associações assenta em objetivos coincidentes e em setores de atividade que se complementam. "É preciso haver vontade, é preciso ter a noção de que ambas as associações têm um propósito muito comum", resumiu.
Quanto à a dimensão de cada uma das estruturas, Hélder Martins detalhou que a AIHSA, fundada em 1971, conta com cerca de 900 associados e abrange a hotelaria e a restauração, ao passo que a AHETA, com 300 associados, tem entre os seus membros empresas de hotelaria, animação turística e imobiliário ligado ao turismo. Para o presidente da AHETA, unir as duas realidades "permitirá criar uma estrutura mais abrangente e representativa".
Quanto à forma como o entendimento foi finalmente alcançado, o dirigente atribuiu-o a uma conversa informal à margem de um evento oficial: "Desta vez encontraram-se duas pessoas com vontade e bastou uma conversa numa cerimónia oficial. Começámos a trabalhar a partir daí, os nossos advogados começaram a construir este documento e chegámos ao dia de hoje sem pressa".
O nome escolhido para a nova entidade, segundo o responsável, pretende transmitir "um âmbito mais alargado do que a representação exclusiva da hotelaria", ficando aberta a empresas de outras áreas ligadas ao turismo. "AETA foi um nome de acordo com as duas entidades, porque era mais abrangente. No fundo, é uma associação de empresas turísticas e não uma associação só de hotéis ou similares", acrescentou.
Para Hélder Martins, a nova associação ficará em melhores condições para negociar com entidades públicas e privadas numa região cuja economia gira em torno do turismo: "Várias empresas turísticas vão poder aderir à associação e vamos poder ter mais abrangência".
O dirigente colocou ainda o acordo numa perspetiva mais ampla, associando-o a uma rutura com hábitos antigos da região. "Não é tradição no Algarve. A tradição no Algarve é separar, é desagregar. Espero que isto constitua um elemento para que as pessoas percebam que juntos temos mais força", declarou.
Questionado sobre os passos seguintes, admitiu que restam etapas administrativas e legais - nomeadamente o registo formal da nova associação - antes de o processo estar totalmente fechado, mas disse acreditar que tal acontecerá ainda em 2026.
Do lado da AIHSA, o presidente Daniel do Adro sublinhou o valor estratégico da união: considerou que a fusão "é fundamental para representar os desígnios comuns dos empresários turísticos e enfrentar os desafios futuros do setor". O dirigente manifestou a necessidade de o setor falar com uma só voz: "É essencial e fundamental que a região fale a uma só voz, com capacidade para defender o setor e os associados", concluiu.
O ato de assinatura contou com a presença do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, que presidiu à cerimónia, além dos presidentes do Turismo de Portugal, Carlos Abade, e da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros.