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Empresas apostam em estratégias de descentralização e flexibilização

Ana Tavares |
Empresas apostam em estratégias de descentralização e flexibilização

A pandemia veio mudar os hábitos de trabalho e o paradigma de decisão dos ocupantes de escritórios. O mais recente relatório da CBRE mostra que o futuro passa por soluções que permitam equilibrar talento, localização, ocupação, design e experiência, não só em 2021, mas também nos próximos anos.

O “Real Estate Strategy Reset”, agora divulgado, mostra quais as principais tendências que vão definir e orientar o futuro do trabalho nos próximos anos, identificando uma série de factos e prioridades.

Com a possibilidade do teletrabalho, os colaboradores procuram localizações mais baratas e com maior qualidade de vida, e por isso a localização é hoje fortemente influenciada pelos novos padrões migratórios, novas dinâmicas de transportes públicos, densidade populacional e infraestruturas de comunicação. Mais pessoas procuram viver em zonas mais baratas e com melhor qualidade de vida.

Neste contexto, a CBRE identifica que as estratégias de descentralização dos escritórios emergem como uma das principais ferramentas para apoiar os colaboradores atuais e atrair novos elementos para as equipas.

As empresas que atuem com confiança mas equipas e deleguem responsabilidade e autonomia terão vantagem competitiva na atração de talento. À medida que as equipas regressem ao escritório, fatores como a flexibilidade e liberdade de escolha originarão novos comportamentos, nomeadamente na forma como as pessoas se relacionam com o espaço e em que momento decidem fazê-lo. E, por outro lado, o espaço de trabalho «terá de ser repensado à luz de um formato híbrido e de equipas mais distribuídas».

Assim, as empresas estão hoje a focar-se em decisões rápidas que maximizem a flexibilidade em contexto de maior incerteza. Estarão em vantagem aquelas que tenham capacidade de planeamento e soluções flexíveis que permitam uma mais fácil adaptação à utilização do espaço.

Os novos standards de design e tecnologia focados no bem-estar, produtividade e comunicação vão motivar as equipas nos panoramas físico e virtual da pegada imobiliária, acredita a CBRE, que defende que o novo espaço de trabalho será crucial para assegurar não só o bem-estar e a produtividade, como também o compromisso dos colaboradores, cada vez mais dispersos. E as tecnologias digitais vão permitir criar edifícios mais inteligentes e eficientes, que melhorem a experiência dos colaboradores.

Cristina Arouca, Diretora de Research da CBRE, afirma que «na CBRE acreditamos que a estratégia imobiliária terá que ser repensada à luz de novos factos e considerações sobre o trabalho e que estes terão que ser constantemente explorados e desconstruídos. O futuro trará realidades empresariais muito distintas, pelo que será fulcral que os líderes das organizações olhem para o negócio de forma criteriosa e que ajustem a sua estratégia».

Por seu turno, André Almada, Senior Director Offices Advisory & Transaction da CBRE, completa que «a pandemia de Covid-19 mudou radicalmente o paradigma de decisão dos ocupantes de escritórios. As empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de encontrar soluções que permitam equilibrar talento, localização, ocupação, design e experiência, de modo a obterem resultados de sucesso em 2021 e nos anos seguintes».

Também comentando este relatório, Duarte Cardoso Ferreira, Diretor de Consultoria Estratégica da CBRE, conclui que «os líderes da área de imobiliário corporativo irão desempenhar um papel fundamental como gestores do futuro do trabalho. Estes líderes deverão sistematicamente considerar modelos transformacionais e facilitar estratégias multifuncionais para fomentar resultados de negócio de sucesso».