São cada vez mais as empresas que investem em certificações ESG nos seus edifícios, como LEED, BREEAM ou WELL. Por um lado, garantem a valorização destes imóveis e o cumprimento dos melhores padrões ambientais, por outro, ambientes de trabalho mais saudáveis e atrativos, o que interessa a ocupantes, mas também a investidores. Este foi um dos principais temas em destaque durante o evento “Sustainability Through Standards: Certifications Shaping a Greener Future”, que a APFM organizou a 6 de maio, nos Cinemas NOS Colombo, em Lisboa, parte das Jornadas APFM 2026. Participando na mesa-redonda “Certificação como catalisador: dos edifícios à responsabilidade corporativa”, Eduardo Leitão, da Ageas, explicou que as certificações fazem parte da estratégia de gestão de património da seguradora. “Ter certificações ajuda-nos a evitar o ‘brown discount’ e a valorizar os ativos. Apesar de nem sempre ser um processo fácil, o nosso maior risco é mesmo ter os imóveis desocupados, e assim conseguimos garantir inquilinos mais seletivos que permitem melhores rentabilidades”. Já a Brisa, também valoriza a certificação nos seus edifícios estratégicos, apesar de ocupar muitos imóveis com contratos de concessão. “Um dos nossos edifícios principais tem certificação BREEAM, e estamos a fazer o caminho para renovar este certificado, dando longevidade ao tema no nosso plano de negócios. O business case da certificação não pode ser só a 2 ou 3 anos, tem de ser mais longo”, afirma Guilherme Sousa. José Bastos, da Cofidis, confirma que as certificações são “claramente estratégicas” para os investidores, já que os imóveis certificados “são os mais procurados e valorizados”. E Sérgio Carvalho, da Sonae Sierra, garante que as certificações “são absolutamente imprescindíveis. Desde 2001 que iniciámos um conjunto de processos para termos certificações, e hoje conseguimos distinguir-nos nessa área”. Explica que “para os investidores, sobretudo para os grandes fundos, um ativo certificado em um grande impacto, e também recebemos bem mais de 400 milhões de pessoas por ano nos nossos ativos. Ao termos certificações, asseguramos um framework standardizado em todo o nosso portfólio. E temos sido bastante bem-sucedidos”. Os responsáveis não escondem que o investimento é essencial e, por vezes, também um obstáculo. Sem investimento, não é possível garantir estas certificações, e nem sempre é fácil a alocação de recursos para este fim. Por isso, as certificações devem estar sempre em linha com os objetivos estratégicos das empresas, e as mudanças devem ser bem comunicadas. Garantir as melhores condições de trabalho Para a Cofidis, “a estratégia passa sempre por aumentar a ocupação, a produtividade e o bem-estar. É importante que as pessoas estejam num local de trabalho mais sustentável, mais saudável e agradável, e isso tem impacto na produtividade. Claro que, no business case é difícil quantificar algumas coisas, nomeadamente quando ainda não há histórico, mas temos de usar análises SWOT e demonstrar que as vantagens são muito superiores aos riscos”. No caso da Galp, a empresa aposta nas certificações LEED e WELL, e o responsável Nelson Rosa explica que “sempre tivemos a perspetiva de garantir o melhor contexto e condições de trabalho para as pessoas, é algo estratégico para as equipas de Facility Management, e traz sempre valor acrescentado a uma empresa”. Guilherme Sousa também afirma que, para a Brisa, “o foco são as pessoas, e temos como objetivo a certificação WELL, a longo prazo. O nosso desafio é atrair e reter o talento, e estas certificações são fundamentais para isso, em linha com a estratégia da organização”. Sérgio Carvalho completa que “o caminho é sempre a valorização e a humanização do ativo. A certificação não só ajuda, como é essencial”.