Grande investimento em Sines faz Governo intervir

Grande investimento em Sines faz Governo intervir
Fotografia: Setubal, Pexels

Foi anunciado, esta quarta feira, que o Governo vai avançar com um plano especial para responder à pressão dos investimentos industriais no concelho de Sines, em Setúbal, com respostas na área da habitação, educação e saúde. De acordo com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, referido pela Lusa e citado pelo idealista/news, o objetivo é então fazer um plano especial para Sines, que está a ter uma "concentração de investimento enorme”.

O governante afirmou que devem ser criadas condições de “acesso à casa, escola, centros de saúde, lares de 3.ª idade, infantários e pré-escola”, reforçando que o investimento público é necessário já que “tem havido uma concentração importante na área industrial":

Também no seguimento das preocupações manifestadas pelo presidente da Câmara de Sines, Álvaro Beijinha, relativas à pressão na habitação e nos serviços públicos dos investimentos privados, estimados em mais de 20 mil milhões de euros, o governante afirmou que “Estes grandes investimentos privados têm necessariamente de vir acompanhados de investimento público em todas as áreas”.

Manuel de Castro Almeida referiu ainda, perante os jornalistas, que apesar da medida não ser “normal no conjunto do país”, reconhece a “especificidade” do território, devido aos investimentos privados: “Reconhecendo essa especificidade do concelho de Sines, estamos a trabalhar com a câmara municipal para preparar um plano de investimentos públicos”.

Falta de habitação também afeta o concelho

Quanto à habitação, o presidente da Câmara de Sines argumentou que o problema é grave: “o problema da habitação é absolutamente dramático”, acrescentando que “não existem casas disponíveis para arrendamento “a menos de dois mil euros mensais” ou imóveis para comprar “a menos de 300 mil euros”.

O responsável apelou “à responsabilidade social” das empresas privadas que se instalam no território, e disse ser “essencial uma resposta dos serviços públicos”, tendo em conta o crescimento populacional: “O concelho de Sines cresceu em população, desde 2021 e até ao final do ano passado, mais de 12%”, o que representa “cerca de duas mil pessoas”, sem que se tenha registado “crescimento ao nível” das respostas públicas, apontou.

Também durante a cerimónia de entrega do Título Digital de Exploração das duas novas fábricas do projeto Alba, da Repsol, o autarca, na presença do ministro da Economia, apelou a uma revisão da Lei das Finanças Locais, tendo afirmando que perante os grandes investimentos, “não pode acontecer o município de Sines ter como receita de derrama, no ano passado, menos de 1,5 milhões de euros e, em 2024, não chegou a um milhão de euros”, num orçamento municipal de 41,5 milhões de euros.

Foi ainda mencionada, pelo autarca, a possibilidade de celebrar contratos locais com as empresas que investem no território: “As pessoas começam a estar contra os investimentos porque sentem que, cada vez que há mais investimento, o preço da habitação vai subir, a dificuldade de colocar o seu filho na creche é maior [e] esperam mais tempo quando recorrem aos cuidados de saúde”, no entanto, deixou claro que o município é a favor dos investimentos privados neste território, mas “acompanhado do investimento público”.