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Lisboa e Porto estão no radar dos centros de serviços partilhados

Ana Tavares |
Lisboa e Porto estão no radar dos centros de serviços partilhados

Portugal consolida-se como um mercado atrativo para a implementação de empresas internacionais, devido a fatores como a sua localização estratégica, qualidade dos recursos humanos nacionais, clima de estabilidade política e paz social, infraestrutura robusta de conectividade e inovação e transição digital.

Esta é uma das conclusões do estudo “Portugal no Radar dos Business Service Centres (BSC): a Atratividade do Mercado Imobiliário, Edição 2021”, elaborado pela Savills, que destaca como prova dessa atratividade o reconhecimento de vários prémios internacionais, que «têm colocado Portugal como um destino de eleição para o investimento em múltiplos setores, especialmente por parte de investidores estrangeiros, que demonstram um crescente interesse em posicionarem-se no nosso país». Destaca também o sistema de educação, com cada vez mais instituições reconhecidas internacionalmente.

Os centros de serviços partilhados estão a crescer, dando resposta à necessidade das empresas de otimizar recursos, assegurando níveis de produtividade máximos com custos mais competitivos, salvaguardando a qualidade do processo produtivo.

Segundo a Savills, o nosso país tem um total de 175 centros deste género, em Lisboa, Porto, Braga e Aveiro – as áreas metropolitanas são preferenciais na instalação deste tipo de empresas. Dados da AICEP mostram que, nestes centros, 85% dos colaboradores são de nacionalidades estrangeiras. Ainda, nos últimos cinco anos, verificou-se uma taxa de crescimento anual de 14 por cento do número de centros no país.

Também de acordo com a AICEP, só Lisboa já recebeu 40 novas empresas dedicadas às TI entre 2016 e 2020, somando 11 centros partilhados, incluindo uma série de centros de competência dedicados ao setor automóvel, como a Critical Techworks, a Mercedes Benz.io ou a Volkswagen Digital Solutions.

Na capital, «a aposta na renovação e colocação de oferta no mercado de escritórios da capital tem sido a resposta, ainda que insuficiente, a uma procura muito dinâmica, agora com novas necessidades de ocupação e formas de organização que se refletem nos espaços de trabalho. A capital conta com uma taxa de disponibilidade de 7,04 por cento e espera-se um aumento de cerca de 166.000 m2 para o biénio 2021-2022. A renda prime estabelece-se, atualmente, nos 25 euros/m2/mês».

Já no Porto, a ocupação por empresas tecnológicas é significativa face a outros setores. Uber, Revolut, Prozis ou Farfetch são apenas algumas das empresas que optaram por esta localização. Aumentou o investimento em recursos humanos na região Norte na área da tecnologia, e a Invicta é hoje uma das cidades europeias mais atrativas para visitar, viver e investir.

A Savills prevê a entrada de 100.000 metros quadrados de novos espaços de escritórios no Porto até 2022, num total de 18 projetos: «este mercado verá crescer o seu stock, assegurando, assim, a sua competitividade face a capitais europeias que se posicionam como destinos com potencial para receber ocupantes internacionais que procuram localizações estratégicas para estabelecerem, relocalizarem ou expandirem os seus centros de operações».

Braga e Aveiro são outros dois mercados em ascensão, o primeiro com um dos níveis de envelhecimento mais baixos do país, e o segundo com uma forte oferta de Ensino Superior nas áreas da Tecnologia e Inovação.

Em qualquer localização, os investidores dão hoje especial importância à sustentabilidade dos edifícios, um elemento que «cada vez mais faz parte do imobiliário».

«A implementação de sistemas inteligentes de gestão de gastos energéticos, a crescente sinergia entre as vertentes utilitária e de bem-estar, e a transformação de espaços de escritórios em verdadeiros lugares de convívio com elementos representativos do meio ambiente (como jardins interiores) pesam cada vez mais na decisão dos investidores, como formas de aumentar o bem-estar dos seus colaboradores, de atrair e reter talento e clientes e de promover uma atmosfera de produtividade aliada à criatividade», salienta a Savills. Por outro lado, «o investimento na certificação de sustentabilidade dos edifícios permite, entre outras vantagens, reduzir custos operacionais e acrescentar valor ao imóvel», conclui.