Arquitetura

Arquitetura e a evolução de uma responsabilidade partilhada

A entrada na terceira década do século XXI leva-nos a refletir sobre a notável viagem que a arquitetura fez nos últimos 25 anos. Esta arte que hoje conhecemos é um espelho da sociedade, da cultura em nós enraizada e dos progressos tecnológicos. A arquitetura tem, se quisermos, uma grande vantagem competitiva: a capacidade de adaptação, podendo reinventar-se e inovar-se constantemente.

A Arquitetura deve ser pensada e trabalhada enquanto responsabilidade partilhada por cada um de nós. A forma como evoluem as cidades em termos estruturais e urbanísticos que impactam significativamente o equilíbrio na definição da paisagem, é uma questão intrínseca à nossa sociedade.

As principais tendências, desafios e triunfos que moldaram o nosso ambiente hoje construído, e que são a chave para percebermos o que nos reserva o futuro, são também o reflexo das vivências das comunidades.

Uma das transformações mais significativas na arquitetura nos últimos 25 anos tem sido a aposta crescente na sustentabilidade. As alterações climáticas e as preocupações ambientais levaram os arquitetos a adotar práticas amigas do ambiente, que se traduzem na construção de ativos mais “verdes” e na integração de energias renováveis e materiais sustentáveis. O crescimento exponencial do mercado das certificações “verdes” e a edificação de estruturas NZEB, demonstram o compromisso do setor para com um futuro mais sustentável.

Os avanços tecnológicos, por sua vez, revolucionaram o processo de design arquitetónico. A utilização do Building Information Modeling (BIM) simplificou a gestão de projetos e potenciou a colaboração entre os profissionais do setor. A Realidade Virtual e a Realidade Aumentada permitiram aos clientes experimentar os projetos antes do início da sua construção, agilizando a comunicação e o processo de tomada de decisão.

Os últimos 25 anos testemunharam ainda a criação de alguns marcos arquitetónicos verdadeiramente icónicos em Portugal, estruturas que redefinem os horizontes das cidades e que elevaram a arquitetura nacional além-fronteiras. Projetos que servem não só como representações da realização humana, mas também como catalisadores do crescimento económico e do turismo.

Numa era de rápida urbanização, os arquitetos baseiam-se, cada vez mais, na reutilização adaptativa de forma a conservar estruturas históricas e a reduzir a pegada ambiental da construção. Esta tendência não só honra o passado como também promove um sentido de continuidade e identidade das paisagens urbanas em constante mudança.

A arquitetura dos últimos 25 anos tem também abraçado a diversidade cultural e a inclusão enquanto parte integrante da sua realidade. Os profissionais estão a incorporar elementos de várias culturas nos seus projetos, criando espaços que celebram e respeitam as comunidades que servem. O lado emocional da arquitetura sobressai cada vez mais, proporcionando novas experiências para os utilizadores e ocupantes de edifícios.

Embora a arquitetura tenha percorrido um longo caminho no último quarto de século, enfrenta hoje desafios constantes. A rápida urbanização, a escassez de habitação e as alterações climáticas continuam a testar a resiliência e capacidade de adaptação do setor. No entanto, estes desafios apresentam também oportunidades de inovação e da concretização de soluções sustentáveis, numa ótica de construção de um futuro mais justo e resiliente, uma responsabilidade que deve ser partilhada por todos.

Saúdo todos os profissionais que, ao longo destes 25 anos, contribuíram para a evolução da arquitetura em Portugal e para um reconhecimento global do melhor que se faz no nosso país.