De acordo com o relatório da Savills “The Evolution of Purpose‑Built Student Accommodation in Portugal”, o mercado de residências para estudantes no país atingiu um volume recorde de investimento, no entanto, continua a verificar-se falta de oferta, principalmente nas principais cidades universitárias.
Entre 2019 e 2025, o investimento em residências para estudantes atingiu 1,2 mil milhões de euros, e, do montante total, cerca de 942 milhões de euros corresponderam à venda de portfolios, sobretudo de ativos já operacionais.
Portugal dispõe de 26.000 camas em residências para estudantes, com cerca de metade integrada em residências de universidades e institutos, e a restante em projetos privados de PBSA (Purpose-Built Student Accommodation). Este número traduz-se numa taxa de cobertura de 5,80% a nível nacional, deixando o país atrás de outros mercados europeus.
Dominic Orchard, Director, Savills OCM, afirma: “De acordo com o nosso inquérito a investidores de 2026, o PBSA continua a ser o setor mais procurado no segmento europeu de Operational Real Estate (OpRE) pelo segundo ano consecutivo. Portugal tornou-se um dos mercados mais atrativos para investidores em residências de estudantes e esperamos que a região continue a reforçar a sua posição, tendo em conta os fundamentos de oferta e procura e os níveis de yield atualmente disponíveis no mercado.”
Lisboa, Porto e Coimbra são as cidades com mais pressão
A procura continua a crescer apesar da oferta reduzida: no ano letivo de 2024/2025, Portugal tinha 456.032 estudantes do ensino superior, mais 1,74% do que no ano anterior sendo que 80.065 estudantes eram internacionais, o que representa um aumento de 3,35% face a 2023/2024.
O país também integra escolas de negócios entre as 100 melhores da Europa no ranking European Business Schools do Financial Times, aumentando a visibilidade a nível internacional e contribuindo para o crescimento do número de estudantes estrangeiros e da procura de alojamento, e é nas principais cidades universitárias, como Lisboa, Porto e Coimbra, que esta pressão se torna mais visível.
Rendas continuam a subir e residências com níveis de ocupação elevados
Por um lado, as residências apresentam níveis de ocupação muito elevados e as rendas continuam a subir. Por outro, o mercado de arrendamento tradicional dispõe também de menos alojamentos de tipologia T1, e os estúdios também se encontram a preços incompatíveis com o orçamento dos estudantes.
Segundo a Savills, e apesar deste contexto, o mercado continua em expansão, com projetos em carteira que apontam para a criação de cerca de 2.000 novas camas em residências privadas para estudantes entre 2026 e 2027 - ainda assim, não suporta a procura crescente do alojamento estudantil.
Lisboa e Porto concentram uma parte significativa dessa nova oferta. Lisboa conta hoje com mais de 4.500 camas em residências privadas, às quais se deverão juntar mais de 1.000 previstas para 2025/2026. No Porto, já existem mais de 5.400 camas operacionais e estão planeadas cerca de 1.600 adicionais nos próximos anos.
Do lado dos operadores, o mercado é dominado por alguns grandes grupos internacionais. A Livensa Living, Xior, a MiCampus e a LIV Student, têm vindo a expandir a sua oferta no território nacional.
Residências estudantis comportam novos modelos
As novas residências estudantis comportam novos modelos - salas de estudo, ginásios, cozinhas partilhadas, lavandarias, áreas de convívio e segurança 24 horas começaram a tornar-se “requisitos mínimos”, principalmente para estudantes internacionais.