Investimento no sul da Europa cresce 5 vezes mais rápido

Foto de Samson na Unsplash
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De acordo com as estimativas preliminares, até setembro terão sido investidos na Europa 156.000 milhões de euros, mais 4% que no período homólogo. Deste valor, 46.000 milhões de euros foram transacionados no 3º trimestre, com a atividade a recuar 6% face ao mesmo período de 2025.

Segundo o documento, embora o balanço anual seja positivo, os resultados preliminares do 3º trimestre “podem refletir uma maior prudência nas estimativas após as mais recentes decisões sobre as taxas de juro, numa altura em que a incerteza sobre o custo do financiamento e os preços prolonga os processos de due diligence”.

Além disso, olhando para o resultado acumulado do ano, o relatório da Savills aponta para uma recuperação desigual entre os diferentes mercados regionais.

Assim, a Europa Central e de Leste lidera em termos de crescimento, com um volume de investimento imobiliário 34% superior ao do ano passado, seguida dos países nórdicos, com mais 25%, e do Sul da Europa, com uma subida de 20%. Em contrapartida, os três maiores mercados europeus – Reino Unido, Alemanha e França – viram o volume investido descer 8%, enquanto no resto da Europa Ocidental, a atividade caiu 5%.

Quanto aos mercados sul-europeus, a Savills destaca que Espanha continua a captar capital, apoiada no desempenho da economia e num prémio de risco soberano favorável em comparação com outros países europeus. Entretanto, em Itália as grandes transações sustentam a atividade, com o interesse investidor a focar-se no retalho, em especial fora dos centros urbanos, na hotelaria e na logística. O capital value-add tem um papel relevante no mercado italiano, a par de um regresso gradual dos investidores core. Em Portugal, os dados disponíveis são relativos ao 1º semestre, com 1.400 milhões de euros transacionados em imobiliário comercial até junho, mais 14% do que no período homólogo, sendo que a hotelaria concentrou 36% do volume investido.

 

Nos países nórdicos, e depois de um primeiro semestre com várias grandes transações, a estimativa da Savills para a Suécia no 3º trimestre é, contudo, mais baixa. No entanto, o sentimento do mercado mantém-se positivo, com procura de grupos suecos e noruegueses e uma carteira de negócios ativa que deixa margem para melhorias no 4º trimestre. Já na Europa Central e de Leste, a Polónia beneficia do capital de investidores da região, em especial checos, enquanto a atividade nas áreas da defesa e da indústria transformadora reforça as perspetivas de procura de espaços industriais.

 

Mercado deverá continuar a crescer 7% ao ano até 2027

A Savills reviu em baixa as previsões para 2026, porque os três maiores mercados do Velho Continente, sobretudo França, estão a travar o crescimento europeu. Segundo as projeções da consultora, o investimento imobiliário na Europa deverá chegar aos 248.000 milhões de euros em 2026 e aos 266.000 milhões em 2027, com um crescimento de cerca de 7% em cada um dos anos.

A Europa Central e de Leste, os países nórdicos e o Sul da Europa deverão ser os principais motores. O último trimestre pode trazer melhores números com o fecho de negócios já em curso, mas o relatório sublinha que a recuperação europeia depende da retoma dos maiores mercados.

 

Living conquista investidores e já movimenta 30% do capital

Nos últimos meses, o living continua no centro do radar dos investidores que procuram rendimentos estáveis, estimando-se que a habitação para arrendamento (multifamily), as residências de estudantes, as residências sénior e os lares devam somar mais de 30% do investimento na Europa até setembro. A falta de oferta e a procura dos ocupantes sustentam a expectativa de subida das rendas.

“Também o investimento em retalho continua a recuperar, com destaque para os centros comerciais. Os fluxos de capital dentro da Europa mantêm-se fortes, vindos de investidores do Reino Unido, França, Suécia e Alemanha. Os norte-americanos são a principal fonte de capital internacional na Europa, e os canadianos deverão tornar-se ainda mais ativos”, comenta James Burke, Global Cross Border Investment Director da Savills.


Relativamente aos preços, “já não se antecipa uma descida generalizada das yields. Pelo contrário, a subida é agora esperada em mais mercados e setores. É nos escritórios e no retalho que as diferenças deverão ser maiores, porque os preços distinguem cada vez mais os imóveis prime dos secundários. Com este cenário, os resultados do investimento vão depender menos da evolução geral do mercado e mais do aumento das rendas, de uma boa gestão dos ativos e da capacidade de encontrar oportunidades cujo preço ainda não reflete todo o seu potencial”, acrescenta Lydia Brissy, European Research Director da Savills.