O estudo “Desenvolvimentos no setor imobiliário residencial” do BPI aponta para sinais positivos na construção, ainda assim, antecipa-se que a oferta se mantenha limitada face à procura.
A construção de novas habitações em Portugal poderá atingir este ano o nível mais elevado desde 2010, estimando-se um crescimento de 2% no número de fogos concluídos em 2026, caso o ritmo do primeiro semestre do ano se mantenha.
Foram concluídas em 2025 27.301 habitações, mais 282% do que em 2015 e o valor mais elevado desde 2010. Nos primeiros três meses deste ano foram concluídos 6.931 fogos, um ritmo que, a manter-se, permitirá superar ligeiramente o número registado em 2025.
Preços continuam a subir
Ainda que a construção apresente sinais positivos, o estudo aponta que a oferta de novas casas continua insuficiente face à procura, o que mantém a pressão sobre os preços.
O Índice de Preços da Habitação registou uma subida homóloga de 17,8% no primeiro trimestre de 2026. Em cadeia, os preços cresceram 3,8% entre o último trimestre de 2025 e os primeiros três meses deste ano.
A avaliação bancária apresenta os mesmos sinais. Em julho, atingiu 2.240 euros por metro quadrado, embora já haja sinais de abrandamento. A avaliação mediana aumentou 15,2% em termos homólogos, abaixo da média mensal de 17,4% registada em 2025.
Preços sobem mas de forma mais moderada face ao ano passado
O banco identifica vários fatores que continuam a sustentar a valorização da habitação, entre os quais a robustez do mercado de trabalho, a oferta limitada de imóveis e os custos de construção. Também o crescente afastamento entre os preços das casas e os salários e o aumento das taxas de juro deverão contribuir para uma moderação da subida dos preços face a 2025.
Crédito à habitação também cresce
O crédito à habitação continua também a apresentar um desempenho robusto. As novas operações aumentaram 12,1% no primeiro semestre de 2026, naquele que foi o melhor primeiro semestre da série corrigida de renegociações, iniciada em 2014.
Em junho, o montante mensal de novas operações atingiu 2,2 mil milhões de euros, próximo do máximo de 2,3 mil milhões registado em março.
No entanto, o BPI antecipa uma perda de dinamismo na segunda metade do ano devido às novas regras macroprudenciais (“revisão das medidas macroprudenciais poderá limitar nova produção”). Entre as alterações está o limite de 45% para o rácio entre o serviço da dívida e o rendimento (DSTI), que entrou em vigor a 1 de agosto e poderá ter maior impacto nos empréstimos abrangidos pela garantia pública para jovens.
Diminuição do número de transações no início do ano
Apesar da subida dos preços, o número de transações recuou no primeiro trimestre. Foram transacionadas 37.745 habitações, (menos 8,7% do que no período homólogo).
Os dados da Confidencial Imobiliário para o segundo trimestre mostram, contudo, alguma recuperação: foram registadas 39.210 transações, mais 7% do que no trimestre anterior.