De acordo com os dados estudo Investment in Portugal - Q2 2026 Snapshot, da Colliers, o investimento imobiliário em Portugal, no primeiro semestre de 2026, totalizou cerca de 1.400 milhões de euros. Este volume representa um valor muito similar face ao período homólogo, marcado por um desempenho excecionalmente elevado.
O resultado é favorável para Portugal, já que, a nível europeu, se verificou um decréscimo, com o volume de transações a diminuir 23%. Destacam-se os segmentos de industrial e logística e hotelaria com a maior concentração de capital fundamentos operacionais sólidos
Hotelaria com o maior volume de investimento e retalho equivale a 31% do investimento total
A hotelaria foi o setor que captou maior volume de investimento no primeiro semestre deste ano, com 508 milhões de euros, correspondentes a 37% do total. O segmento registou um crescimento de 25,1% face ao mesmo período de 2025.
Pedro Valente diretor geral da Colliers em Portugal, afirmou: “O grande desempenho da hotelaria reflete a atratividade de Portugal enquanto destino turístico europeu, suportada por níveis de ocupação saudáveis e pelo crescimento do número de visitantes internacionais (...) o setor continuará atrativo, não só para investidores nacionais, mas também internacionais”.
Já no que se refere ao retalho, foram transacionados 422 milhões de euros, equivalentes a 31% do investimento total. A procura continua concentrada em ativos com fluxos de caixa defensivos, baixa vacancy e arrendatários de elevada qualidade, nomeadamente nas principais artérias comerciais e nos principais centros comerciais.
Segmento Industrial & Logística apresenta o maior crescimento
O segmento Industrial & Logística (I&L) foi o que registou o maior crescimento homólogo, com um aumento de 73% para 169 milhões de euros (12% do total).
Esta evolução é suportada, segundo o estudo, pela escassez estrutural de oferta, pela tendência de nearshoring e pela continuidade da expansão do comércio eletrónico.
O responsável Pedro Valente afirmou: “As áreas da Indústria e da Logística ainda têm muito potencial de crescimento, nomeadamente perto dos grandes centros urbanos, mas também em zonas de forte crescimento, como Sines e Matosinhos”.
Os ativos prime na Grande Lisboa e no Grande Porto continuam a suscitar interesse, enquanto ganham expressão operações de valor acrescentado e de sale-and-leaseback.
Escritórios e living recuam
Também o estudo aponta que o investimento em escritórios totalizou 70 milhões de euros, menos 47,3% do que no primeiro semestre de 2025, enquanto o segmento de habitação (living) registou 88 milhões de euros, uma redução homóloga de 74,2%
Os ativos alternativos, como saúde, residências sénior e centros de dados, representaram 121 milhões de euros (9%). A Colliers mantém uma leitura positiva dos fundamentais do living, apontando a escassez de habitação, o crescimento populacional e a procura internacional, e indica que o investimento em escritórios continua concentrado em ativos prime de classe A com fortes credenciais ESG, em Lisboa e no Porto.
Apesar destes dados, “para a Colliers o investimento residencial permanece sólido, apoiado pela escassez de oferta, pelo crescimento populacional e pela procura internacional”, aponta o comunicado divulgado.
Yields prime continuam estáveis
As prime yields permaneceram estáveis face ao trimestre anterior nos principais segmentos e mercados. A estabilidade conjugada com a melhoria das condições de financiamento, contribui para um enquadramento gradualmente mais favorável à atividade de investimento.
Perspetivas de recuperação gradual
A Colliers antecipa uma recuperação gradual do volume de transações nas principais classes de ativos, apoiada pela estabilização das taxas de juro, pela resiliência dos mercados de ocupação e pelo interesse continuado dos investidores internacionais.
Entre os segmentos mais relevantes e atrativos destaca-se o de Industrial & Logística e hotelaria, num mercado em que os investidores continuam a privilegiar ativos de elevada qualidade e com fundamentos operacionais sólidos.
No primeiro semestre do ano, Portugal mostrou resiliência. Os investidores estão mais seletivos e procuram ativos de qualidade, com a estabilidade dos preços e operações fortes a continuarem a sustentar o mercado.
Pedro Valente concluiu: “O mercado português está a atravessar uma fase de maior seletividade, e não de ausência de capital. O investimento está a concentrar-se nos ativos e setores onde os fundamentais operacionais oferecem maior visibilidade, com a hotelaria e o Industrial & Logística a destacarem-se neste primeiro semestre”.