Portugal é um dos 10 principais destinos europeus de investimento estrangeiro

Portugal é um dos 10 principais destinos europeus de investimento estrangeiro
Fotografia: Pexels

De acordo com o EY Attractiveness Survey Portugal 2026 citado pelo Jornal Económico, a redução de 5% no número de projetos de investimento estrangeiro em Portugal ficou abaixo da quebra de 7% registada a nível europeu. O país manteve, assim, o 9º lugar no ranking europeu, apesar de um contexto económico internacional mais desafiante.

O peso dos projetos de expansão aumentou de 26% para 37% do total, refletindo a aposta das empresas já instaladas no país no reforço das suas operações. Ainda assim, o estudo conclui que Portugal continua a enfrentar desafios para transformar esta resiliência em ganhos de competitividade face a outros mercados europeus.

Miguel Farinha, country managing partner da EY Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, afirmou: “Portugal voltou a demonstrar capacidade para resistir num contexto internacional particularmente desafiante. O facto de termos registado uma contração inferior à média europeia e assistido ao crescimento dos projetos de expansão mostra que os investidores continuam a reconhecer valor no país. O próximo passo passa por criar as condições para transformar esta resiliência em competitividade de longo prazo, acelerando a capacidade de financiar, executar e escalar investimentos”.

Por sua vez, Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal leader, destacou: “A próxima vaga de investimento será determinada por fatores como inteligência artificial, infraestruturas digitais, energia e reindustrialização avançada. Portugal reúne vantagens relevantes nestas áreas, combinando talento, estabilidade, capacidade de atrair profissionais internacionais e uma crescente disponibilidade de energia renovável. O desafio está agora em transformar estes ativos em projetos concretos e de maior valor acrescentado.”

Tecnologia concentra 44% dos projetos

Os setores de Software e Serviços de IT e de Serviços às Empresas e Serviços Profissionais representaram, em conjunto, 44% dos projetos de investimento estrangeiro captados por Portugal em 2025.

A intenção de reforçar a presença no país também é expressiva entre as empresas tecnológicas: 66% afirmam ter planos para estabelecer ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses, mais 11 pontos percentuais face à edição anterior do estudo.

IA e centros de dados entre as prioridades

Questionados sobre as áreas que Portugal deverá privilegiar para captar investimento estrangeiro nos próximos cinco anos, 20% dos investidores apontaram o ecossistema de inteligência artificial, cloud e centros de dados.

A logística e as cadeias de abastecimento foram referidas por 16% dos inquiridos, enquanto a reindustrialização sustentável e a indústria avançada foram identificadas por 15%.

Energia renovável reforça competitividade

A qualidade de vida continua a ser o atributo mais valorizado pelos investidores internacionais. No entanto, a disponibilidade de energia verde e de baixo carbono ganha relevância enquanto fator diferenciador.

Cerca de 30% dos investidores identificam a energia renovável como uma das principais vantagens competitivas de Portugal, reforçando o potencial do país para captar projetos associados à transição energética e às infraestruturas digitais.

Maioria prevê investir ou expandir operações

Apesar da maior prudência no contexto internacional, 57% dos investidores inquiridos afirmam ter planos para investir ou expandir operações em Portugal nos próximos 12 meses, acima da média europeia, de 54%.

Por outro lado, 22% referem ter adiado, cancelado ou reduzido planos de investimento em Portugal durante o último ano, abaixo dos 34% registados na Europa. Além disso, 56% acreditam que a atratividade do país irá melhorar nos próximos três anos.

Acesso a capital lidera prioridades

O acesso a capital é apontado como a principal prioridade para reforçar a competitividade portuguesa. Entre as restantes medidas identificadas pelos investidores estão o apoio às pequenas e médias empresas, o reforço da inovação digital e o apoio a estratégicos, como a inteligência artificial, a energia limpa e a defesa.