De acordo com o Balanço Verão & Perspetivas Outono 2026 da Hotelaria de Portugal (AHP), entre junho e setembro, a hotelaria nacional registou uma taxa de ocupação média de 80%, menos 1 ponto percentual face ao mesmo período de 2025. O preço médio por quarto ocupado aumentou 3%, para 171 euros, enquanto o RevPAR subiu 1%, para 137 euros.
No balanço dos proveitos, 53% dos hoteleiros consideram que o verão foi melhor ou muito melhor do que em 2025, enquanto 19% tiveram resultados semelhantes e 28% registaram um desempenho inferior.
Grande Lisboa em contraciclo
O Alentejo apresentou a evolução mais favorável, com o RevPAR a crescer 7%, impulsionado por uma subida de 5% no preço médio e de 2 pontos percentuais na ocupação. A Península de Setúbal também registou melhorias nos três indicadores, com um aumento de 5% no RevPAR.
A Madeira manteve a taxa de ocupação mais elevada do país, nos 90%, enquanto o Algarve apresentou os valores absolutos mais elevados, com um preço médio de 228 euros e um RevPAR de 195 euros.
Em sentido contrário, a Grande Lisboa foi a única região com quebras na ocupação, preço médio e RevPAR. A ocupação recuou 2 pontos percentuais, para 82%, o preço médio caiu 1%, para 173 euros, e o RevPAR diminuiu 4%, para 142 euros.
Reservas para o final do ano abrandam
As perspetivas para os últimos meses do ano são mais cautelosas. Para outubro, 45% dos hoteleiros indicam ter reservas em carteira abaixo das registadas no mesmo período de 2025. A percentagem sobe para 61% em novembro e 53% em dezembro.
Apesar da redução das reservas, as expectativas relativamente ao preço médio mantêm-se positivas. Em outubro, 60% dos inquiridos antecipam preços superiores aos de 2025, percentagem que baixa para 54% em novembro e 48% em dezembro.
Portugal continua a ser o principal mercado emissor, referido por 77% dos hoteleiros, seguido do Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Espanha. Para o último trimestre, a Alemanha é o mercado que mais ganha expressão face às perspetivas do ano anterior, com mais 6 p.p.
Custos preocupam setor
A instabilidade económica e geopolítica é a principal preocupação dos hoteleiros para o final de 2026, mencionada por 61% dos inquiridos. Seguem-se o aumento dos custos da energia e dos combustíveis, com 58%, e o aumento dos custos operacionais, referido por 52%.
A oferta excessiva de alojamento turístico e a contenção do consumo turístico nos mercados emissores também ganham peso entre as preocupações do setor.
Apesar do abrandamento das reservas e da pressão sobre os custos, o grau médio de confiança dos hoteleiros no turismo nacional subiu de 6,8 pontos em maio para 7,1 pontos, numa escala de 1 a 10. Ainda assim, o valor fica abaixo dos 7,4 pontos registados em janeiro.
Para a AHP, os resultados revelam um contexto de maior exigência para as empresas, marcado pelo abrandamento das reservas, pela pressão dos custos operacionais e pela incerteza nos mercados emissores.